Os pensionistas, inclusive os de Bauru, estão sendo alvo de golpistas. Usando o nome do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado de São Paulo, eles enviam telegrama a pessoas cujos cônjuges já morreram pedindo para que entrem em contato através de um número de telefone de São Paulo para tratar sobre uma suposta ação judicial ganha pelo falecido ou falecida contra uma empresa de previdência privada e capitalização já extinta.
A tentativa de golpe foi aplicada à pensionista Odete Hastenneider Bijos Lima, 77 anos recentemente, que só não perdeu dinheiro porque sua filha desconfiou da proposta e pediu ajuda ao primo, o advogado Fernando Bijos. O delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) alerta que tem sido procurado por várias pessoas que receberam telegramas com o mesmo teor e alerta. “É golpe e inclusive estamos investigando. O Tribunal de Justiça não envia telegramas”, explica.
Quando o pensionista liga para o telefone indicado no documento é informado que tem um valor a receber referente à ação contra uma empresa de previdência privada e capitalização já extinta que supostamente teria sido movida, há anos, pelo cônjuge já falecido. Quem atende o telefone, afirmando ser funcionário do TJ, informa um valor ao qual o pensionista teria a receber e aí prepara o golpe.
Para tentar tirar dinheiro da vítima, o golpista diz que a quantia está prestes a entrar para precatório (transformada em documento para pagamento posterior, que geralmente leva anos para ser efetivado), mas que há uma possibilidade de acordo, o que levaria à liberação do valor imediatamente.
Para isso, diz o golpista, o pensionista precisa pagar as custas da ação, o oficial de Justiça, seguro e ainda recolher várias taxas. Se o pensionista acreditar na proposta e depositar o valor pedido, não haverá volta. Mais tarde vai descobrir que o telegrama não foi enviado pelo TJ, que não há ação ganha em nome de seu cônjuge e não conseguirá reaver o dinheiro depositado a título de pagamento das custas da ação e taxas.
Fernando Bicos conta que, ao ser procurado por sua prima, que já estava desconfiada da autenticidade do telegrama e da conversa que teve com o suposto funcionário do TJ ao telefone, ele voltou a telefonar para o número indicado no documento. “Disseram que minha tia teria quase R$ 40 mil para receber de seguro de vida e R$ 19.782,00 de pensão acumulada, mas para isso tinha de pagar as custas da ação, de 7,8% sobre os R$ 40 mil, R$ 1.552,82 de pecúlio, mais R$ 3.128,00 de seguro e recolher Gare, DARF e CPJ”, conta.
Já sabendo que as citações do TJ são feitas apenas através de Diário Oficial ou diretamente ao advogado e que as taxas relacionadas não condiziam com as cobradas verdadeiramente pelo Judiciário, Bijos questionou o suposto funcionário do órgão. “Ele tentou argumentar, mas como que continuei questionando, perguntando quem era o juiz, ele desligou o telefone”, relata.
Posteriormente, Bijos entrou em contato com o TJ, que lhe informou que já havia recebido denúncias de tentativa de golpe semelhante em várias cidades. “O TJ informou que já tem, inclusive, inquérito correndo para apurar o caso”, relata. Em Bauru, J.J. Cardia também está investigando o caso. “Já pedi, inclusive, quebra de sigilo telefônico e uma série de providências para tentar levantar de onde estão sendo feitas as ligações”, relata
Mas ele explica que é difícil chegar aos golpistas. Eles mudam de telefone constantemente, de forma que, quando a polícia localizada o endereço de instalação, o imóvel já está vazio. A conta usada para receber o dinheiro das vítimas, geralmente aberta com documentos furtados ou roubados, também é fechada logo após o saque.