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Galera descobre o xadrez

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

Um tabuleiro quadrado, com oito linhas de oito casas, chamadas de filas, e oito linhas horizontais, conhecidas por colunas, intercaladas em cores claras e escuras, com 16 peças brancas e 16 peças pretas, resume o “equipamento” para começar o jogo. Mas não são pecinhas iguais, comuns. Para iniciar a brincadeira, cada jogador de xadrez conta com um verdadeiro exército: um rei, uma dama, dois bispos, duas torres, dois cavalos e oito peões.

Além dessa divisão física entre as peças, elas também se movimentam de maneira diferente no tabuleiro, o que deixa o jogo mais interessante e difícil. O cavalo, por exemplo, movimenta-se em L; o bispo, nas diagonais; e a torre, somente nas filas e colunas. O principal objetivo deste jogo intrigante é dar o xeque-mate, ou seja, fazer com que o rei adversário não tenha como escapar. É preciso, então, ter em mente sempre proteger o seu próprio rei.

Pode parecer complicado, esquisito e até mesmo chato, mas a galera que curte xadrez discorda. Na verdade, o xadrez é um jogo que exige técnica, concentração e treino, o que demanda um certo tempo até ficar craque. E há craques de todas as idades.

Fernanda Caride, por exemplo, tem apenas 8 anos e já conquistou título de campeã no Campeonato Brasileiro de Xadrez Escolar, em São Paulo, no início do mês. Ela participou na sua modalidade, 2.ª série, na qual havia 21 concorrentes. Além disso, tem se destacado na 2.ª Copa Semel de Xadrez Escolar, vencendo quatro etapas.

Mas a história não começa agora, Fernanda tem família de enxadristas. O irmão, Gustavo Caride, 10 anos, faz a 4.ª série no Colégio São José, onde também estuda a irmã, e já se destacou em vários campeonatos paulistas, ficando em segundo lugar por quatro anos. A paixão pelo jogo começou com o pai, que ensinou Gustavo. “No começo, achei bastante difícil. Depois fui desenvolvendo, faço xadrez na escola e na Luso e o grau de dificuldade vai aumentando”, explica.

No momento, bastante afinados com o esporte, a dupla joga em casa, estuda apostilas e transmite os ensinamentos ao pai, que estava sendo passado para trás pela galerinha. Gustavo acredita que o esporte auxilia no rendimento escolar. “A gente percebe, inclusive na matemática, porque no xadrez você calcula cada lance”, recorda o enxadrista.

Gustavo também dá um exemplo do amigo que estava indo mal na escola: “Depois que ele começou com o xadrez, aumentou sua concentração e suas notas também melhoraram.”

Hoje, a maioria das escolas particulares oferece o xadrez como atividade extra e colégios estaduais e municipais estão introduzindo o esporte gradativamente. Foi realizado, inclusive, um projeto piloto pelo governo federal que avaliou essa prática esportiva como instrumento didático, não apenas como lazer e passatempo.

“O resultado foi altamente positivo, ampliou o interesse dos alunos e cresceu a freqüência às aulas”, comenta Carlos Alberto Ribeiro Xavier, assessor do Ministério da Educação para assuntos da cultura.

A idéia é que o projeto seja um demonstrativo aos Estados e municípios brasileiros. O Paraná, por exemplo, já adota xadrez na rede de ensino há muito tempo. Xavier explica que as escolas podem se utilizar de verbas como do Fundo Nacional Desenvolvimento da Educação (FNDE) para auxiliar na implantação do jogo no ambiente escolar, como, por exemplo, na aquisição do material. “O custo individual não é alto, algo perto de R$ 6,50 (tabuleiro de napa, peças e apostila).”

Mas há outras forma de praticar xadrez sem comprar o tabuleiro. No Serviço Social do Comércio (Sesc) de Bauru, por exemplo, é possível praticar o esporte por meio de um tabuleiro de xadrez gigante. Entre os que freqüentam este supertabuleiro está Alex Fernandes, 8 anos, estudante da 2.ª série na Emef Ivan Engler.

Alex participa do Sesc Curumim ao lado de uma galera que curte jogar xadrez, como a amiga Letícia Lima Escrivel, 7 anos, que faz a 1.ª série no GBI. Eles aproveitam para passar o final de tarde jogando. “Eu aprendi com meu avô e agora estou fazendo curso na escola”, diz Letícia. A dupla não se incomoda com a platéia e com outros amigos e se diverte com o xadrez.

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