Tribuna do Leitor

"COISAS DA VIDA"


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Todo mundo sofre, todo mundo passa por momentos difíceis na vida. A morte de alguém querido, perda de um emprego, um amor. Ninguém está livre disso, por mais rico, feliz ou bem apessoado que seja. Mas, numa sociedade cada vez mais pressionada por conceitos como sucesso e competitividade, parece que sofrer virou coisa de fracos. Vivemos numa ditadura da felicidade, em que é preciso estar sempre de bem com a vida, mesmo que o dia não esteja para euforia. Na TV, nas revistas, nos anúncios, todos aparecem sorrindo. Criou-se uma espécie de tirania da alegria, diz o filósofo Emilio Terron, da Associação Palas Athena e do colégio Friburgo, de São Paulo. “Quem não se sente feliz que compre um antedepressivo, ou se esconda em casa”. Com tudo isso, não é de estranhar que tentemos evitar a dor e o sofrimento a todo custo. Seja comprando carrões, fazendo psicoterapia ou conseguindo o maior número de amigos. Temos de seguir a lei do “Seja Feliz agora”. Nessa busca incessante pela alegria, colocamos as tristezas embaixo do tapete e nos enchemos de ansiedade, angústia e cobranças. Pouco a pouco perdemos a noção de que sofrer é normal e pode ser de grande valia, se soubermos lidar com as dificuldades. Vejam bem o que aconteceu comigo. Foi num período mais difícil da minha vida quando da perda da cadeira nº 17 na Academia Bauruense de Letras e o nosso afastamento definitivo de uma coisa que mais amávamos em nossa vida de acadêmico... O ser humano busca, durante o curso de sua vida, inúmeras maneiras de esquecer essa fatal realidade. Compreendi que não preciso ser o primeiro em tudo e que não adianta se desesperar atrás do que se quer. Depois que entendi isso, decidi não me abater. Só diante desse episódio triste e desgastante é que cai na realidade que tudo tem seu lado construtivo. Aí dei uma parada e passei a valorizar outros aspectos da vida. Muitas vezes a tristeza surge de forma tão forte e toca bem fundo dentro da gente, de um jeito tão insuportável que só mesmo isso para nos fazer mudar. A energia produzida pelo sofrimento, desagradável no início, pode ser o caminho de uma grande evolução. Bom, não? Basta não lutar contra a dor e aceitar o fato de que ela guarda um enorme potencial para nos tornar pessoas melhores e mais felizes... Para finalizar, vamos citar o poeta Fernando Pessoa: “Às vezes ouço passar o vento;. E só de ouvir o vento passar vale a pena ter nascido”... (João Álvares )

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