Regional

Brotas impõe a lei do ‘ferro e fogo’ para preservar natureza

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Brotas - Em 2003, Brotas (100 quilômetros de Bauru) iniciou a implantação gradativa de 13 normas para a exploração do turismo no município, referência em esportes de aventura e ecoturismo. O Executivo acha que já deu tempo de todo mundo se adequar às regras. Assim, o prefeito Orlando Pereira Barreto Neto (PSDB) avisa: em janeiro de 2006 começa a fase “do ferro e fogo” prevista na normatização.

A fiscalização do município irá coibir com multa os excessos contra a natureza, com previsão de suspensão de alvará de funcionamento e fechamento de empresas.

“Aumenta o rigor com aplicação radical da legislação. Nos dois primeiros anos, eu considero como fase ‘light’ de conscientização. Todos tiveram prazos para adaptação e compra de equipamentos.” Ele acrescenta que a normalização foi necessária para preservar os atrativos turísticos. Matas, rios, cachoeiras e trilhas, segundo o prefeito, têm um teto limite para serem explorados.

A capacidade de atendimento turístico foi definida em estudo de 1994 formatado pela especialista da Universidade de São Paulo (USP), Doris Ruschmann. No entendimento do prefeito, a velocidade do desenvolvimento da indústria do turismo caminha em igualdade com o previsto no diagnóstico proposto.

A abundância de recursos naturais do município injetará na economia R$ 25 milhões até o final deste ano, movimentados por cerca de 170 mil turistas que conheceram pela primeira vez ou voltaram a Brotas.

Barreto entende que possui lastro político na comunidade brotense para aplicar a normatização de forma rígida. “Temos o consentimento da população. Isso é um fenômeno social e político. As razões que o governo tem são lógicas e sérias”, adverte. Ele acrescenta que o Executivo delegou ao Conselho Municipal de Turismo, em 2001, a elaboração das leis que hoje formam a normatização.

Conforme Barreto, no conselho estão representantes do turismo, do comércio e da sociedade local. “Queremos a prática de uma política séria e não soltar uma lei dessas. O brasileiro não quer mais ver a legislação do mais ou menos, do jeitinho brasileiro. A questão crucial é preservar o patrimônio ou deixar deteriorar o patrimônio. A gente tem que pensar se vamos fazer uma política de interesse imediato ou uma política de longo prazo.”

O dia-a-dia da cidade respira o bom momento, com ritmo financeiro ditado pelo turismo de aventura. Porém o prefeito avalia que não se pode estagnar e projeta adicionar outros valores à indústria turística local. Para isso, a comunidade vem se preparando com melhora da infra-estrutura instalada e das condições sociais, com projetos de geração de renda e que também incentivam a formação de gente desperta para receber cada vez melhor o turista.

Um exemplo é o ambiente do Centro Cultural onde funciona o Museu do Cotidiano, que expõe ao visitante o caminho que Brotas percorreu e, também, abre espaço para que crianças carentes mostrem e vendam seus produtos artesanais.

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