Cultura

Dança das ruas no palco

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

O Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves sedia hoje a primeira edição do Dança Urbana, mostra de street dance não-competiva. De acordo com o diretor do departamento de Ação Cultural da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Sivaldo Camargo, o objetivo é oferecer a Bauru a oportunidade de assistir a produções locais dessa modalidade, além de fornecer aos participantes troca de experiências com profissionais renomados da área. O evento é uma realização da SMC e da Associação de Dança de Bauru (Adab).

A diversidade do street dance em Bauru poderá ser conferida na apresentação dos 14 grupos que sobem ao palco hoje à noite. São eles: Alfa-Beta infantil, Alfa-Beta juvenil, Colégio Dinâmico (coreografia de Pedro Henrique), Kids – Street Dance, Teens – Street Dance, Street Dance Juvenil do Colégio Fênix (coreografias de Caroline Guimarães), Oficina de Dança do Centro Cultural (coreografia de Ana Karina Cruz), New School, Oficina Hip Hop (coreografia de Giovanna Togashi), Corpo Livre (coreografia de Gabriel Santinho), Anti Corpus (coreografia de Édios Pedroso), Studio de Dança Macktub (coreografia de Bethe Lima) e Break Power (coreografia de Henrique, Antonio e Salatiel).

Na tarde do evento, serão ministradas duas oficinas, ao preço de R$15,00 cada, com dançarinos consagrados do street dance. Às 14h, Frank Ejara esclarece sobre o primeiro estilo de hip hop, criado em 79, chamado locking. Nesta categoria, o uso das mãos é responsável pelos principais movimentos da dança. Ejara é autodidata em dança de rua e há 20 anos estuda a cultura hip hop, tornando-se especialista nos estilos robot, locking, popping, boogalooing, up rock e b.boying. Em São Paulo, fundou o grupo Discípulos do Ritmo, com o qual participou de várias temporadas na Europa.

Às 15h30, Ralph Willian coordena o curso de freestyle. Estilo que surgiu das danças discos dos anos 70, o freestyle hip hop dance é o que o próprio nome diz: liberdade de estilo. “É uma dança livre, em que nós improvisamos e tiramos influência de tudo, até do axé. Nessa categoria, não há limites”, esclarece Willian. O dançarino trabalha com hip hop desde 98, mas é apaixonado pela dança desde os 8 anos. Atualmente se apresenta por todo o Brasil e pelo Exterior com a Companhia de Dança Street Evolution.

A street dance teve origem nos guetos norte-americanos, durante os anos 60. Conhecida como dança de rua no Brasil, a modalidade logo criou adeptos nas periferias, onde a identificação com a cultura foi decisiva para o fortalecimento do movimento. “Como nasceu com negros e latinos pobres nos Estados Unidos é normal que, no Brasil, o gosto pelo hip hop partisse dos negros da periferia, o que gerou, em conseqüência, um preconceito por parte da elite”, informa Ejara.

Mas o Dança Urbana é uma prova de que o street dance está presente de forma expressiva em todos os segmentos da sociedade. “Este evento mostra que essa cultura está crescendo e se proliferando, independente da classe social. O hip hop é arte e arte é para todos”, conclui Ejara.

• Serviço

Dança Urbana 2005, a partir das 19h, no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves, localizado na avenida Nações Unidas, 8-9. Ingressos a R$3,00. Mais informações: (14) 3235-1072 e (14) 3235-1088.

Comentários

Comentários