Apesar de ser proibido por lei, na área urbana de Bauru há criações de porcos. No Jardim Flórida, moradores reclamaram ao JC da existência de dez suínos em um quintal, o que facilitaria a proliferação de moscas, além de exalar mau-cheiro. Mas em outros bairros da cidade também há pocilgas, tanto que o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) considera comum reclamações da existência de suínos na cidade, principalmente nessa época, quando os criadores estão se preparando para vender os animais para as festas de fim de ano.
Um morador do Jardim Flórida, que preferiu não se identificar, reclamou da criação de porcos de um vizinho, na quadra 4 da rua Olga Santori Casal. O dono dos animais, Rinaldo Manuel da Silva, afirmou à reportagem que cria os suínos no quintal para consumo da família.
Na pocilga que o aposentado mantém no quintal são mantidos dez animais: um casal, seis filhotes e dois adultos. Um deles será abatido nos próximos dias. “Ele já atingiu o máximo da engorda e já vamos matarâ€, conta Francisco Bernardes de Almeida, genro de Silva, que mora na mesma casa.
Segundo o aposentado, até o final da semana o CCZ não havia determinado a retirada dos animais, mas conta que um fiscal já esteve em sua casa para verificar a criação. “Quando mandarem, eu tiroâ€, disse Silva.
Segundo José Rodrigues Gonçalves Neto, chefe da sessão de Controle de Zoonozes do CCZ, só em outubro o centro recebeu três reclamações sobre a criação de Silva, mas ele não sabe informar se o aposentado já teria sido notificado. “Muitas vezes as pessoas se recusam a assinar o auto de infraçãoâ€, explica.
O chiqueiro de Silva infringe a legislação que disciplina a atuação do CCZ (lei 4.286 de 16 de março de 1998 e lei 4.330 de 10 de agosto de 1998), que proíbe a criação de suínos em área urbana. Pela lei, em casos de criação de porcos o responsável é notificado e tem até 15 dias para retirar os animais. Caso continue com os suínos, fica sujeito à multa, que vai de R$ 83,00 a R$ 3.179,00. “Nossa intenção não é multar ninguém, mas sim que as próprias pessoas se conscientizem que estão pondo a saúde dos outros em risco. O problema está na falta de conscientização das pessoasâ€, resume o veterinário.
Gonçalves Neto ressalta que, se existem criadores, é porque também há compradores. A criação de gado também é proibida em perímetro urbano, mas também é comum ver vacas e bois pastando em terrenos baldios em bairros da periferia. “Se tem alguém que cria vaca, é porque alguém no bairro compra o leiteâ€, define Gonçalves Neto.
Já a criação de cavalos é permitida. E como muitas pessoas dependem desses animais para o trabalho, é muito comum encontrá-los pastando por praças ou vagando pelas ruas. É o caso de Maria Eunice Coutinho Cardoso dos Santos, moradora do Jardim Nicéia, que mantém dois cavalos em sua residência, sendo um dela e outro de seu cunhado. Os animais são usados para puxar a carroça que Maria utiliza para recolher sucata nas ruas da cidade.
Ela conta que ganha mais trabalhando ao lado do marido, na recolha de sucata nas ruas, do que como empregada doméstica. O casal mudou-se da Vila Falcão para o Jardim Nicéia exatamente por causa do cavalo, já que no bairro que ela mora agora tem espaço para o animal. Mas Maria Eunice garante que os animais ficam sempre presos ou pastando na mata ao lado.
Durante a noite, para evitar que eles saiam para a rua e, conseqüentemente para o CCZ, ela os mantêm presos num cercado.
Porém, Gonçalves Neto reclama que nem sempre é isso o que ocorre. “Às vezes, depois de terem exaurido o animal, os donos acabam abandonando os cavalos em terrenos baldios só para serem recolhidos pelo CCZâ€, comenta o veterinário.