O período de matrículas para 2006 ainda nem começou e já existem 5.787 crianças de até 6 anos à espera de vagas nas creches e escolas de educação infantil mantidas pelas entidades assistenciais e Prefeitura de Bauru. Há mais crianças na fila de espera do que em sala de aula, conforme revela levantamento feito pelo Jornal da Cidade: atualmente estão matriculadas nas instituições de ensino infantil 3.959 crianças. Ou seja, a demanda é 46% maior que o número de vagas disponíveis.
E a situação não deve mudar muito no próximo ano. Márcia Zwicker Di Flora, diretora do departamento de educação infantil da Secretaria Municipal de Educação, afirma que o problema da falta de vagas demanda tempo para ser sanado. “Não basta abrir vagas, deve-se estudar as condições do lugar, ver se o terreno comporta mais salas, fazer uma série de estudosâ€, informa a diretora.
Márcia revela que, para 2006, a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) estuda ampliar alguns prédios das unidades de ensino para abrir mais vagas para as crianças. Além disso, um dos projetos da secretaria é a construção de três Centros de Educação Municipal Integrado (Cemis), dois no Parque Viaduto e um no Núcleo Isaura Pitta Garmes. Os Cemis compreendem escolas de ensino infantil e fundamental.
Até lá, a saída para as mães que precisam trabalhar e não têm com quem deixar os filhos pequenos tem sido recorrer à Justiça. É o caso da empregada doméstica Jaqueline dos Santos Couto, 22 anos, que estava há seis meses buscando uma vaga nas creches perto de sua residência, no bairro Bela Vista, para seus dois filhos, Luiz Fernando, de 3 anos e Amanda Vitória, de 1 ano e 3 meses. Na última semana, conseguiu a matrícula para os dois, após impetrar mandado de segurança em nome dos filhos.
“Emprego nunca foi difícil de conseguir, mas eu tive de recusar alguns trabalhos por não ter onde, nem com quem deixar meus filhosâ€, explica Jaqueline. A doméstica conta que para não perder o emprego deixa o filho mais velho com a sogra durante toda a semana e só o vê aos sábados e domingos. Já a caçula fica sob os cuidados de uma babá, que Jaqueline paga junto com a irmã Juliana. “Ela também está procurando vaga para o filho dela, que só tem 7 mesesâ€. Cada uma paga R$ 50,00 para a babá, dinheiro que faz muita falta no dia a dia. “Além disso, sempre ficamos apreensivas em deixar os bebês. Nunca sabemos o que pode acontecerâ€, revela.
Problema antigo
A fila de espera é grande já há muito tempo. No início deste ano, cerca de duas mil crianças não conseguiram vagas nas creches públicas de Bauru. Só na rede pública de ensino, 1.828 crianças permaneceram do lado de fora dos berçários e das salas de aula. Nas entidades, o número de meninos e meninas surpreende: no total são 2.769 pedidos de matrícula distribuídos nas 26 escolinhas que atendem a população. A maior procura, tanto na rede pública quanto nas entidades, é por escolas que atendam bebês de até 2 anos.
Apesar de muitas mães deixarem o nome do filho em várias creches, tanto nas públicas quanto nas beneficentes, o número impressiona. Na rede de ensino municipal, por exemplo, o número de crianças esperando a oportunidade de matrícula é superior ao número de vagas oferecidas.
As 15 Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis), que atendem crianças de 3 a 6 anos, e as 45 Escolas Municipais de Educação Infantil Integrada Infantil (Emeii), que recebem de até 6 anos, em 2005 matricularam 1.528 crianças. No início do ano letivo, 2.008 crianças ficaram de fora das Emeiis e Emeis. Durante o ano, 180 conseguiram a matrícula, mas 1.828 ainda ficaram aguardando uma oportunidade.
Segundo dados fornecidos pela Associação das Entidades Assistenciais de Bauru, as 26 creches filantrópicas mantidas por diversas entidades oferecem 2.431 vagas para as crianças. A lista de espera é de 2.769. Segundo Uriel de Almeida, vice-presidente da associação, esses números ainda contém nomes em duplicidade e não excluem as mães que também procuram vagas nas escolas da prefeitura.
As creches das entidades, alternativa que atualmente oferece mais vagas para as crianças que o ensino municipal, são mantidas através de doações da comunidade, repasse de verbas do governo federal e também com ajuda da prefeitura, que fornece ajuda na merenda por meio da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social, além de professores e suporte pedagógico da Secretaria Municipal de Educação.