Muitos pais e mães que precisam trabalhar não conseguem matricular seus filhos. Por isso, um número cada vez maior de mães está tentando resolver o problema por meio da Justiça.
O promotor da Infância e Juventude, Lucas Pimentel, está orientando os pais que não conseguem colocar seus filhos nas Emeiis a impetrar mandados de segurança com pedido de liminar contra a Secretaria Municipal de Educação, pedindo a inclusão da criança no ensino público municipal.
A Procuradoria Geral da União, por meio de sua assessoria jurídica, impetrou diversos mandados de segurança com o mesmo objetivo. “O direito da criança à educação é uma obrigação do Estado, quer seja ele União, governo do Estado ou município, e a Constituição não aponta idade mínima para esse direitoâ€, explica Luiz Arnaldo Seabra Salomão, procurador do Estado.
O mandado de segurança é baseado no direito da criança de receber educação, no dever do Estado em fornecer ensino gratuito e no direito dos pais em trabalhar. “A falta de vagas cria um círculo de quebra de direitos que precisa terminarâ€, observa Salomãoâ€.
Márcia Zwicker Di Flora, diretora do departamento de educação da Secretaria Municipal de Educação, esclarece que apesar de ter a opção de recorrer, a prefeitura acatou todos os mandados. “Mas eu não considero esse o caminho adequadoâ€, acredita. Para ela, esse procedimento é injusto com as outras mães que ainda permanecem na fila. “Às vezes essa mãe é a 42.ª na lista. O que vamos falar para as outras 41 mães que também precisam trabalhar?â€, questiona.
Márcia também observa que a questão não é apenas abrigar as crianças, mas oferecer um atendimento digno. “As Emeiis não são um depósito de criança. Para atender de forma adequada, elas precisam ter berçário, lactário, fraldário e funcionários capacitados. Então, é um investimento grande. O problemas da falta de vagas deve ser resolvido, mas de forma mais gradual.â€