Na véspera do dia de Finados, as gôndolas dos supermercados, as prateleiras das lojas de R$ 1,99 e as ruas - com a presença dos vendedores ambulantes - ganham o colorido das flores. Para atender a demanda do bauruense que vai visitar os familiares e amigos falecidos amanhã, estabelecimentos comerciais e vendedores autônomos aumentaram seus estoques.
De acordo com o subgerente de uma rede de supermercados de Bauru, Valdecir Alves da Silva, a venda de flores aumenta muito nesta época do ano. A empresa, diz, espera vender 30% mais do que no mesmo período do ano passado, quando comercializou 6 mil vasos. “No dia de Finados do ano passado nosso estoque acabou por volta das 12h, por isso aumentamos o número de flores neste ano”, explica.
Para a Central de Abastecimento de São Paulo (Ceasa), que vende verduras, frutas, legumes e também flores para atacadistas e varejistas, o período de três dias que antecede Finados é - junto com o Dia das Mães - a época mais lucrativo. “A procura, principalmente do crisântemo, aumenta em 80% com a proximidade de Finados”, afirma Édson Guarido Ribeiro, gerente de operações da Ceasa.
No varejo, o vaso pequeno de crisântemo da Ceasa sai em média por R$ 4,99. Já no depósito da própria Ceasa, é possível comprar um vaso grande pelo mesmo valor.
O crisântemo é a flor com maior saída em Finados e quase unanimidade entre vendedores e consumidores. “Já me acostumei a comprar o crisântemo, mas não sei qual a razão”, conta a costureira Jeanice Filgueira Rosa, 53 anos. Outras flores que têm boa procura são rosas e lírios.
Apesar das vendas terem aumentado, o preço do crisântemo continua o mesmo do ano passado, variando entre R$ 1,50 a R$ 6,00, dependendo do tamanho do vaso. Se na Ceasa, nos supermercados e nos ambulantes, as vendas de flores aumentam nesta época do ano, nas floriculturas a data não é mais sinônimo de lucro extra.
Para Aline Campos, proprietária de uma floricultura, a concorrência prejudica as vendas e diminui a qualidade dos produtos. “Percebo que a cada ano diminui a venda para o dia de Finados por causa do aumento de ambulantes nas proximidades dos cemitérios. Eles (ambulantes) vendem pela metade do preço, mas a qualidade das flores é bem pior”, destaca.
Plasticidade
Como dizia a banda Titãs, “as flores de plástico não morrem”. É justamente este o argumento dos consumidores que optam por flores artificiais, cujas vendas também aumentaram. De acordo com o proprietário de uma loja de artigos populares, Issan Diba, a venda de flores artificiais cresceu 10% e a tendência é aumentar ainda mais. “Com a proximidade de Finados esperamos aumentar em 20% as vendas com relação ao ano passado”, diz.
“Compro flores artificias porque acho bonitas. Duram mais e por me preocupar com a proliferação do mosquito da dengue em vasos com água parada”, explica a auxiliar administrativa, Roseli Aparecida da Silva, 40 anos.
Não muito preocupados com o mosquito da dengue, mas com a concorrência, os vendedores ambulantes garantem que este período é bastante lucrativo. “Espero vender 2.500 flores artificiais até amanhã. 10% mais que o ano passado”, estima o comerciante José Corrêa, no ramo há 14 anos.
• Serviço
O Ceasa fica na avenida Nações Unidas 50-98, e funciona das 8h às 18h. Para mais informações, telefone (14) 3203-2000.