Regional

Macatuba tem erosão de 16 anos

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Macatuba - A dona de casa Irani Alves Nunes Coneglian, moradora do bairro Aguinha, em Macatuba (46 quilômetros de Bauru), reclama de uma erosão de cerca de 16 anos, causada pelas chuvas, que estaria contaminando uma mina de água e desvalorizando os lotes de terra do local. A erosão fica próxima à estrada de acesso a Lençóis Paulista, perto do Posto do Trevão.

Irani é proprietária de dois alqueires de terra no local. Ela garante que a erosão existe há muito tempo e se diz preocupada com o pouco caso das administrações públicas passadas, que não conseguiram resolver o problema. “Começou esta erosão já faz 16 anos. Passou por mandatos de quatro prefeitos”, explica. Ela não soube precisar a extensão da erosão. “A erosão é enorme, eu não tenho noção de profundidade, mas acho que dá a altura de um prédio de mais ou menos oito andares”, supõe.

A sua preocupação é com a desvalorização dos lotes de terra. “Está prejudicando, porque a gente não pode vender o terreno. Não está dando para lotear porque a pessoa (interessada) vem e vê aquele barro todo e desiste. Quem é que vai comprar?”, questiona. Ela explica que a água da chuva vem da parte alta da cidade, e por não ter um sistema de canalização adequado, vai em direção ao bairro Aguinha, local onde ela mora há mais de 50 anos.

Herança

De acordo com o prefeito da cidade, Coolidge Hercos Júnior (PMDB), o problema da erosão foi herdado de administrações passadas. “Quando entramos aqui (na prefeitura), a erosão já era muito grande”, explica.

Ele afirma que, por intermédio do Conselho de Hidrometeorologia (Cehidro) do governo do Estado, serão investidos R$ 200 mil em obras de canalização de águas fluviais para conter a erosão. “Nós conseguimos do Cehidro R$ 150 mil. Mais R$ 50 mil é a contrapartida do município”, promete.

De acordo com ele, foram investidos cerca de R$ 18 mil em ações de emergência no local. “Nós já gastamos R$ 18 mil agora (em setembro) porque não estava dando para esperar a liberação do dinheiro do Estado. A erosão já estava colocando em risco algumas construções”, explica. Ele acredita que resolvendo o problema da canalização, acabar com a erosão será questão de tempo. “Onde fica a erosão, aos poucos vamos aterrando”, planeja.

Segundo o prefeito, sua administração teve de recuperar a verba estadual proveniente do Cehidro que esteve disponível na administração passada e não foi utilizada. “Na outra administração, esse dinheiro (R$ 150 mil) veio para o município e depois não foi utilizado porque não quiseram (a prefeitura) dar a contrapartida de R$ 50 mil. Então, este ano nós recuperamos este dinheiro e ele vai ser utilizado para a contenção desta erosão”, promete.

Para a moradora do bairro, além da preocupação com a erosão, também existe a suspeita de que a água escoada estaria afetando o meio ambiente. “Há uma contaminação muito grande na mina (de água) que passa aqui mais para baixo. Além disso tem o posto onde eles lavam carro, caminhão, fazem troca de óleo e (com a chuva) cai tudo no nosso terreno e depois desemboca na mina”, diz.

A água desta mina, segundo a moradora, às vezes, é utilizada pela própria prefeitura em casos de emergência. “Já entramos com advogado. Tudo o que podíamos fazer nós já fizemos e nada de resolver”, lamenta.

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