Cultura

Novo de Anderson chega às locadoras

Por Da Redação | Com Agência Estado
| Tempo de leitura: 2 min

O cartaz do filme e a capa do DVD tem um submarino amarelo estampado, ao estilo da célebre canção dos Beatles, e cuja tripulação é nada menos que Bill Murray, Angelica Houston, Owen Wilson, Cate Blanchett, Williem Dafoe e até um brasileiro, o cantor Seu Jorge. Se ainda assim o “yellow submarine” não o seduzir, saiba que “Vida Marinha com Steve Zissou” é uma comédia fora dos padrões, na qual todas as cenas fazem pouco - ou quase nenhum - sentido. Este é o mais recente e surreal longa do diretor Wes Anderson, após “Pura Adrenalina”, “Três é Demais” e “Os Excêntricos Tenenbaums”, e que chega agora às locadoras.

O filme retrata a última aventura marítima de Steve Zissou (Murray), um oceanógrafo frustrado com a vida, infeliz no casamento e em busca de um contato mais humano com o filho recém-descoberto, Ned (Wilson). Ao contrário de Jacques Cousteau, Steve não adquiriu muitas experiências em suas viagens ao fundo do mar. Mesmo assim, parte em busca de vingança contra um suposto tubarão jaguar que matou seu melhor amigo na última aventura dele pela costa da África.

A tripulação de Steve é tão atrapalhada e inexperiente quanto ele próprio. Acompanham na façanha o filho, a mulher milionária (Angelica Houston), o amigo carente (Willem Dafoe), uma jornalista grávida (Cate estava grávida de verdade durante as filmagens do longa), por quem pai e filho se apaixonam, além de um bando de estagiários em busca de crédito na Universidade do Norte do Alasca.

Para surpresa dos brasileiros, aparece o cantor e compositor Seu Jorge, em um papel bem menos secundário que as primeiras experiências de Rodrigo Santoro em Hollywood. Ele vive Pelé dos Santos, especialista em segurança que acalma a tripulação cantando músicas de David Bowie traduzidas para o português, algo tão absurdo quanto o filme todo de Wes Anderson. O nome do personagem é uma homenagem ao rei Pelé e a Mané Garrincha, cujo nome era Manuel Francisco dos Santos.

As esquisitices do filme começam logo no fundo do mar. Em vez de criaturas normais, Wes Anderson criou um oceano próprio, com água-vivas elétricas, peixes com asas e figuras fluorescentes. Tudo é digital e forçosamente falso. O barco de Steve - o Belafonte - é igualmente estranho, equipado com sauna, estúdio de som, biblioteca e até golfinhos, que Steve não cansa de chamar de burros. As experiências debaixo d’água são feitas no tal submarino amarelo.

Não se pode levar a sério a história. Tudo soa estranho e, por isso mesmo, hilário em alguns momentos. Em especial quando Murray exibe seu rosto apático e sem expressão já conhecido por aqueles que viram “Encontros e Desencontros”, no qual ele concorreu ao Oscar de melhor ator. No início do filme, Steve apresenta seu documentário a uma platéia lotada na Itália. Ao final da exibição, ninguém demonstra reação alguma. Quem sabe esta não seja a reação do próprio público após ver esta comédia tão incomum.

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