São Paulo - No cemitério onde estão sepultadas pessoas como Ramos de Azevedo, Monteiro Lobato e Campos Sales, foi um túmulo modesto o mais visitado ontem. No jazigo, localizado no cemitério da Consolação (região central de São Paulo), está enterrado Antoninho da Rocha Marmo, que morreu de tuberculose, em São Paulo, aos 12 anos.
Embora sua morte tenha ocorrido em 1930, o túmulo do garoto, considerado santo por seus devotos, recebe cerca de 1.000 visitantes por mês, segundo estimativa do cemitério. Às 11h, mais de cem pessoas já haviam visitado o jazigo.
Filho de pais que tinham boas condições financeiras, desde os cinco anos brincava de celebrar missas. Antes de morrer de tuberculose, pediu aos pais que construíssem um hospital para crianças carentes. O hospital, que leva o seu nome, foi inaugurado, em São José dos Campos (91 quilômetros da Capital paulista) em 1952. Mesmo não sendo reconhecido oficialmente pela Igreja Católica, devotos o chamam de santo Antoninho. A popularidade do menino cresceu ainda mais depois de 1982, quando a Rede Globo produziu um seriado sobre sua vida.
Japoneses dançam
É véspera do Dia de Finados, mas não soa triste a música que ecoa da Associação Agrocultural Esportiva de Mombuca, distrito da pequena Guatapará, cidade de cerca de 7 mil habitantes no entorno de Ribeirão Preto. Ali, centenas de integrantes da colônia japonesa dançam, cantam e comem, animados, em homenagem aos mortos.
A celebração é o “Bon-odoriâ€, ou “Dança dos Finadosâ€, cerimônia milenar da colônia japonesa realizada, no Brasil, duas vezes por ano - na dia anterior ao Finados e em 15 de agosto, o equivalente ao dia dos mortos no Japão.
Os japoneses acreditam que os mortos ficam acima da terra e que a dança leva paz aos familiares e amigos que se foram. Ontem, dia de Finados, os orientais costumam visitar o cemitério e deixam, sobre o túmulo, o que os mortos mais gostavam quando eram vivos - frutas, crisântemos e manju, um doce feito à base de feijão.