Política

Centrais estrangeiras querem ação conjunta contra a globalização

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Trocar experiências em relação à organização dos trabalhadores no campo e na cidade e ampliar as ações conjuntas contra a globalização e o projeto político neoliberal. Essas são as principais diretrizes retiradas do intercâmbio que culminou com a visita de centrais sindicais estrangeiras a Bauru, ontem.

A diretora estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Maria Izabel da Silva conta que a visita de um grupo de sindicalistas de diferentes países ao Brasil integra convênio firmado em 2003 para a troca de informações sobre a realidade dos trabalhadores.

Ontem, o grupo visitou o assentamento de agricultura familiar Terra Nossa, ligado à CUT, localizado na divisa entre Bauru e Pederneiras. O grupo conta com integrantes de centrais sindicais como a Comisiones Obreras de Astúrias e Asociación Paz y Solidaridad, da Espanha, Central Unitária de Trabalhadores de Concepción (Chile), Central de Trabalhadores de Santa Fé (Argentina) e Central de Trabalhadores de Pinar Del Rio (Chile).

“A partir deste convênio estamos debatendo a exploração dos trabalhadores e o projeto neoliberal. Os efeitos de demissão e pressão contra os trabalhadores são comuns a esses países que integram o convênio, mas cada um tem sua particularidade, como em Cuba onde os assentamentos integram ação de governo e como na Espanha onde assentamentos com agricultura familiar como este de Bauru não existem”, explica Maria Izabel.

A integração e troca de experiências vai levar a uma ação conjunta nessas localidades. “Queremos construir estratégias que minimizem os impactos da globalização no mundo do trabalho. Nesta semana o grupo também estará visitando assentamentos em Mogi Mirim e Avaré e fábricas em São Bernardo do Campo para ver a realidade do trabalho no segmento industrial. Temos algumas ações específicas sendo traçadas, como a reunião com bancários que enfrentam problemas com os patrões do Santander da Espanha e os sindicalistas desse país também enfrentam dificuldades lá”, acrescenta Silva.

Antonio Pino, secretário geral do Sindicato Comisiones Obreras de Astúrias, Espanha, considera que os encontros e os seminários são ferramentas para a organização do grupo. “Os países que integram o convênio, através das centrais sindicais, vão proporcionar que a realidade e a estrutura de cada grupo seja discutido com os demais. Nosso objetivo é chegar ao encontro previsto no Chile, em 2007, com modelos de integração regional e intercâmbio formados”, conta.

Pino comentou sobre as impressões tiradas na visita do assentamento Terra Nossa, na cidade. â€œÉ uma experiência que valoriza agricultura familiar para a subsistência, com o homem ocupando a terra para sobreviver e se desenvolver. Na Espanha não temos contato com essa realidade”, menciona.

No calendário de ações deste ano esteve seminário na Argentina que avaliou se as estruturas sindicais respondem às necessidades dos trabalhadores. Ontem, na visita organizada pela subsede de Bauru da CUT, o grupo manteve encontro com sindicalistas e, à tarde, realizaram visita ao acampamento Terra Nossa.

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