São Paulo - A Polícia Federal prendeu ontem em Natal (RN) 15 pessoas acusadas de pertencer a uma quadrilha de tráfico de mulheres ligada ao grupo mafioso italiano “Sacra Corona Unitaâ€. A Operação Corona, referência ao nome da organização italiana, cumpriu 14 ordens de prisão preventiva - outra pessoa foi presa em flagrante - e 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela 2.ª Vara Federal de Natal. Sete estrangeiros - seis italianos e um uruguaio - estão entre os presos.
Segundo a PF, a quadrilha atua em Natal desde o final de 2004. É dona de duas boates, bar e pousada em Ponta Negra, bairro de maior agitação turística da cidade, e de uma loja de roupas em um shopping recém-inaugurado.
A PF informou que o grupo está envolvido em sete crimes: lavagem de dinheiro, tráfico interno e internacional de pessoas, formação de quadrilha, manutenção de casa de prostituição e crime contra o sistema financeiro e contra a ordem tributária.
O líder da quadrilha, segundo a PF, é o italiano Giuseppe Amirabille, chefe de uma organização criminosa da região de Bari, na Itália. Rico e com extensa ficha criminal em seu país - que inclui tráfico de drogas, armas e pessoas -, ele teria relação com traficantes colombianos e três grupos mafiosos italianos.
A investigação da PF começou em janeiro deste ano. Segundo o delegado Cleiton Teixeira, foi após a denúncia de uma mulher que havia sido aliciada pela quadrilha para trabalhar como prostituta em Sevilha, na Espanha. Ao ser avisada, ainda em Natal, que iria ficar presa na Espanha até pagar dívidas contraídas com a quadrilha, ela fugiu e procurou a polícia, afirmou Teixeira. Os outros seis estrangeiros presos atuam, de acordo com a PF, como seguranças, “laranjas†ou gerentes dos negócios da quadrilha.
Os oito brasileiros - entre eles duas mulheres -são acusados de serem gerentes, “laranjas†ou responsáveis pelo câmbio clandestino de euros do grupo. A PF apreendeu vários bens pertencentes ao grupo, como automóveis e imóveis. Duas armas também foram apreendidas. Os 15 presos foram transferidos para presídios em Natal e Parnamirim.
O advogado Durvaldo Varandas, que representa nove dos 15 presos, incluindo o suposto líder Amirabille, disse que o grupo nega todas as acusações.