Cultura

Um infernal no Paraíso

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

Ninguém mais duvidava do talento de Nando Reis. Desde que começou a dar mais espaço ao seu lado compositor, no início dos anos 90, o então baixista dos Titãs chamou atenção pela sensibilidade das letras incomuns que, pouco tempo depois, se transformariam em enormes sucessos nas vozes, principalmente, de Marisa Monte e Cássia Eller. Depois veio a carreira solo e a certeza de que ele poderia se virar muito bem cantando suas composições. Faltava o grande sucesso de público. Faltava.

Lançado em agosto de 2004, “Nando Reis & os Infernais – MTV ao Vivo”, o mais recente trabalho do músico, já chegou à marca dos 100 mil discos vendidos - o maior êxito comercial entre os cinco discos solo de Nando - e tem atraído um bom público para as apresentações do cantor em todas as regiões do País. É o show do “MTV ao Vivo” que ele traz hoje ao Recinto Mello Moraes.

Há pouco mais de um ano, Nando esteve em Bauru com um show já baseado no repertório do “MTV ao Vivo”. Ele garante, porém, que as apresentações serão diferentes. “Vai ser um outro show”, diz em entrevista por telefone ao Jornal da Cidade. Segundo o cantor, o show foi mudando naturalmente ao longo do ano pela quantidade de apresentações e a forma como o disco foi se tornando conhecido. “Cada show é diferente porque é resultado da interação da platéia com o artista, que sempre varia dependendo da cidade, do espaço... A partir da história do show eu fui percebendo que poderia reintegrar algumas músicas para o repertório... Parece sutil, mas não é. Tenho certeza que o show vai ser diferente do que o do ano passado”, afirma.

Como, em média, seu show tem duas horas, todos os hits do cantor que compõem o disco como “Segundo Sol”, “Marvin”, “Relicário” e “All Star”, vão estar no set list, além, claro, das canções do “MTV ao Vivo” que ao longo do ano se tornaram sucessos, como “Mantra” e “Por onde Andei”.

As duas músicas, aliás, foram responsáveis pelo que Nando considera um dos melhores resultados do disco. “São duas inéditas entre as três músicas do disco que se transformaram em grandes hits, o que mostra que o trabalho vai além daquela coisa do disco ao vivo de ser uma compilação de sucessos”, avalia. “Foi o que me deixou mais feliz”, completa o cantor, para quem o último trabalho ainda “está quente”. “O disco permanecer vendendo é um bom sinal”, diz.

Tranqüilidade

Nando admite que, depois de três anos da saída dos Titãs, o sucesso é bem vindo e revela que o início da carreira solo, depois de 20 anos de convivência dentro de um grupo, trouxe uma certa insegurança. “A necessidade da mudança contém uma carga de desafio que gera insegurança porque causa uma expectativa. Quando saí dos Titãs tive que lidar com uma reorganização hierárquica dos aspectos da minha vida como artista. Os Titãs eram uma associação muito forte que poderia ser muito positiva, mas também poderia se transformar numa sombra”, diz.

Um aspecto que pesou a seu favor foi a experiência com outros artistas. “Eu nunca fui muito exclusivo lá dentro (dos Titãs), é uma característica muito forte minha de querer trabalhar com outros artistas, o que me ajudou”, explica Nando, que atualmente coloca cada vez mais em prática essa filosofia em parcerias com artistas que vão dos Paralamas do Sucesso a Wando, passando por Wanessa Camargo.

No final, a insegurança de também ter que tomar todas as decisões sobre a carreira e a sonoridade do seu trabalho sozinho também foi desaparecendo à medida que os Infernais foram se formando. “Hoje estou tranqüilo, feliz”, avalia Nando, que se considera um integrante da banda formada pelos excelentes Carlos Pontual (guitarra), Alex Veley (teclados), Felipe Cambraia (baixo) e Diogo Gameiro (bateria), que também devem dividir com ele o crédito do novo disco que sairá em 2006. “Entro em estúdio no começo do ano, por enquanto tenho algumas melodias no violão apenas”.

Se a saída de Nando Reis dos Titãs, em 2002, tinha deixado uma dúvida no ar sobre qual das duas partes sobreviveria melhor sem a outra, hoje a resposta parece clara: o grupo, que nos últimos três anos só conseguiu lançar dois discos irregulares na luta para tentar se manter atual, levou a pior.

Serviço

Show de Nando Reis e os Infernais na Grand Expo Bauru 2005, hoje a partir das 23h, no Recinto Mello Moraes. Ingressos à venda na Jô Calçados, Kuekão, Lup Vídeo, 100% Vídeo, Colatto Collezione, Droga Rio (Mary Dota, Max, Duque e Mil) e Stop Restaurante, a R$ 8,00 (antecipado) e R$ 10,00. Mais informações: telefone (14) 3236-1040 ou www.expobauru.com.br.

Mesmo sozinho

Desde a saída dos Titãs, Nando Reis...

... gravou dois discos: “A Letra A” (2003), com músicas inéditas e algumas releituras e “Nando Reis & os Infernais – MTV ao Vivo” (2004), composto de grandes sucessos da sua carreira e quatro composições novas. Gravado em um show em Porto Alegre, o projeto também gerou o primeiro DVD da carreira do cantor, que leva o mesmo nome.

... teve músicas ou interpretações suas incluídas nas trilhas sonoras das novelas “Metamorphoses” (2004) e “Começar de Novo” (2004) e dos longa-metragens para o cinema: “Meu Tio Matou um Cara” (2004) e “Dois Filhos de Francisco” (2005), além da coletânea “Chill: Brazil” (2003).

... participou do disco “Vivo Feliz” (2003), de Elza Soares e “Uns Dias: Ao Vivo”, dos Paralamas do Sucesso (2004) e dirigiu a produção de “Dez de Dezembro”, disco póstumo de Cássia Eller (2002).

... gravou faixas para os discos “Assim Assado - Tributo ao Secos & Molhados” (2003), “Lonas Acústico” (2005) - ao lado de Lan Lan e as Elaines - e “Um Barzinho um Violão: Jovem Guarda” (2005).

... ganhou o prêmio de Melhor Compositor de Música Popular de 2003 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), repetindo o feito de 1994 e 1995.

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