Tribuna do Leitor

Espreme que sai!


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Aumentam alguns centavos na conta do telefone, no valor do litro da gasolina... e assim prolifera o ataque às migalhas que caem da mesa, ou seja, ao pouco que nos resta do salário. Isso quando sobra; isso quando se tem. Horror econômico! Este termo, homônimo ao título de um livro escrito na França, em 1998, descreve o que vem a ser o sistema capitalista neoliberal, o qual aumenta a taxa de exclusão social, supondo que o desemprego, subproduto capitalista, pode ser esquecido com um simples vale-refeição.

As febens e os presídios proliferam enquanto escolas são fechadas. Vocês acham, sinceramente, que um ex-interno de qualquer sistema prisional será bem aceito por esta sociedade hipócrita, que prega a igualdade, mas empurra a sujeira para debaixo do tapete? Voltando às migalhas, achávamos que nossos sonhos jamais seriam tachados. Que eram o último recanto inviolável de nossa liberdade. Nos enganamos, pois pagamos para sonhar. Explico: como nosso salário (ao menos o da maioria da população) não nos permite ao menos sonhar com os bens materiais que esta mesma sociedade nos induz a desejar, transferimos nosso anseios à sorte. Traduza-se sorte por “loterias”. As loterias foram a “grande sacada” para subtraírem as últimas moedas de nosso raso bolso. Depositamos neste ardil nossas esperanças de uma vida melhor. Sonhamos com a casa própria, com o carro novo, com a TV 29 polegadas e nem nos atentamos que estamos pagando para sonhar. Nossos sonhos passaram mais a depender da sorte do que da nossa competência. Isso sem contar com a manipulação dos resultados.

Poderia dizer que a competência pode levar ao sucesso, mas sucesso é uma questão de ponto de vista. Vamos pegar como exemplo a minha profissão, que é a de professor. Professor de sucesso é aquele que se dedica sobremaneira aos seus alunos, independente do nível em que leciona e também do salário que recebe, ou é aquele que fez mestrado, doutorado e, portanto, ganha mais? O que quero dizer é que, no mundo capitalista, seu sucesso é medido pela quantidade de bens materiais que você conseguiu angariar. Em um de meus artigos, digo que o futuro poderia ser tão brilhante que teríamos que usar óculos escuros. Às vezes, acho que teremos de usar óculos de grau para enxergar de longe. Vivemos tentando entender o mundo, mas ele, definitivamente, não nos entende!

José Reginaldo Furtado - professor - RG 14.808.646-9

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