Brasília - Depois de afirmar ter identificado R$ 10 milhões do Banco do Brasil (BB) supostamente desviados para o esquema do “mensalão”, o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse ontem que investiga agora se o mesmo aconteceu na Eletronorte, nos Correios e nos ministérios do Trabalho e dos Esportes.
“Isso que aconteceu no Banco do Brasil é corrupção e peculato, ou seja, apropriação do dinheiro público”, disse Serraglio, ao anunciar a intenção de centrar foco nos outros órgãos públicos.
As empresas do publicitário Marcos Valério de Souza possuíam contratos em todos esses lugares. Ainda de acordo com Serraglio, a CPI também está investigando se o ex-ministro Luiz Gushiken (Comunicação de Governo) tem responsabilidade no episódio.
A Secom, que era comandada por Gushiken, supervisionava os contratos de publicidade das estatais e dos ministérios. Por meio de sua assessoria de imprensa, o ministro negou relação com o caso. “As ações de marketing e de comunicação da Visanet, uma empresa privada, formada por um pool de bancos, não passam pela Secom. A Visanet não é órgão do governo federal e, mesmo que o fosse, não é responsabilidade da Secom gerir ou tomar decisões sobre investimentos e recursos de entidades ou empresas estatais”, disse Gushiken, hoje chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência.
O relator da CPI divulgou anteontem os primeiros documentos obtidos pela comissão que desmontariam a versão, sustentada por Valério e pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, de que empréstimos bancários no BMG e no Rural sustentaram os pagamentos a políticos aliados.
A origem do dinheiro desviado, segundo a CPI, são cotas do BB no Fundo de Incentivo da Visanet. Esse não seria o único desfalque dado por Valério no BB. Nos últimos cinco anos, cinco agências de publicidade, incluindo a DNA, teriam provocado um prejuízo total estimado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em R$ 94,3 milhões. O valor resultaria da falta de repasse da chamada bonificação de volume, espécie de desconto tradicionalmente concedido pelos fornecedores de serviços das agências.