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PF detém 58 pessoas por contrabando

Por Léo Gerchmann | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Porto Alegre - Uma operação da Polícia Federal (PF) prendeu ontem pelo menos 58 pessoas, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, acusadas de envolvimento em contrabando. De um total de 70 mandados de prisão, até o final da tarde, 38 foram cumpridos no Rio Grande do Sul e 20 em São Paulo.

No esquema descoberto, segundo a PF, os produtos eram contrabandeados dos Estados Unidos, Coréia e China e entravam no Brasil pela fronteira com o Uruguai.

As ações ocorriam desde o início de 2004 e envolviam movimentação de mercadorias no valor de US$ 24 milhões mensais. As mercadorias, principalmente material de informática, arquivos eletrônicos, DVDs, equipamentos hospitalares e 30 mil máquinas fotográficas, eram levadas do Rio Grande do Sul para São Paulo e, de São Paulo, distribuídas para todas as regiões do Brasil. As investigações da Operação Plata (referência ao Río de la Plata, que banha Buenos Aires e Montevidéu) se iniciaram em março e envolveram 500 policiais federais e 130 servidores da Receita, com apoio do Ministério Público Federal.

Foi deflagrada em São Paulo, Porto Alegre e cidades do interior paulista e gaúcho. As mercadorias chegavam dos EUA, China e Coréia para Montevidéu por via marítima e aérea. Como se tratava de mercadorias com destino ao Brasil, seguiam sem fiscalização até a fronteira.

No Rio Grande do Sul, entravam mediante uso de notas frias. Além dos 70 mandados de prisão, foram expedidos 99 mandados de busca e apreensão e 74 de seqüestro de veículos. As cargas eram deslocadas do Uruguai até o Brasil como se estivessem em trânsito aduaneiro (o que evita a incidência tributária no país vizinho).

Ao entrarem no Brasil, eram desviadas das rotas pré-estipuladas, passando descaminhadas (desacompanhadas do regular pagamento de tributos). Havia também importação subfaturada e a lavagem dos lucros. De acordo com o delegado regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal do Rio Grande do Sul, Ildo Gasparetto, o grupo vendia até para grandes redes de lojas brasileiras e era a maior quadrilha de contrabando em solos gaúcho e paulista. Os líderes do grupo foram presos, entre eles advogados e empresários.

A PF começou a desarticular a quadrilha quando constatou que, da região metropolitana de Porto Alegre, ela deslocava parte das mercadorias até os grandes centros consumidores em São Paulo (de onde eram distribuídas para todo o País). De acordo com a PF, os grandes magazines que revendiam os produtos receberam de boa fé, achando que eram legais.

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