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Novo desafio da Pastoral da Criança é combater obesidade

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Depois que o índice de crianças desnutridas ficou abaixo dos 5%, a Pastoral da Criança passou a dar atenção especial a um outro problema tão grave quanto a falta de alimento: a obesidade.

Enquanto o índice de desnutrição entre as crianças pobres menores de 6 anos acompanhadas pela pastoral apresenta uma linha descendente, chegando aos atuais 4%, notou-se que a quantidade de menores acima do peso segue tendência inversa.

A informação foi divulgada pela coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns Neumann, durante visita a Botucatu, na semana passada.

Ela esteve na cidade para receber o título de Hóspede Oficial do município, participar de palestras e almoço de confraternização. Anteontem, ela falou sobre “A missão do voluntariado na transformação da família e da sociedade”, para um público majoritariamente formado por idosos, no auditório do Colégio Santa Marcelina.

Em uma rápida entrevista ao Jornal da Cidade logo após a palestra de Zilda Arns disse que o trabalho de conscientização dos pais contra a obesidade nas crianças já começou nas comunidades atendidas pela pastoral.

Ela contou que o trabalho dos voluntários é tentar mostrar aos pais a importância de oferecer aos filhos uma alimentação mais natural possível. Isso, segundo Zilda, vale para todas as famílias, independente de classe social. “Tem que ter cuidado para não dar muito refrigerante, doces e comidas gordurosas às crianças. Tem que dar sempre alimentos e sucos naturais”, recomenda.

A coordenadora da Pastoral da Criança fez um alerta aos pais para que acompanhem de perto o peso do filho para saber se não estão exagerando na alimentação.

“O grande problema do Brasil não é mais a desnutrição, mas a anemia. É preciso comer mais moela, fígado de boi, verduras, essas coisas”, ensina.

A má alimentação é a causadora tanto da desnutrição quanto da obesidade. Por esse motivo, a Pastoral da Criança está reforçando suas recomendações às famílias para que sigam uma alimentação mais saudável.

Críticas sociais

Enquanto relatava as conquistas e projetos da Pastoral da Criança ao longo de seus 22 anos de existência, Zilda não desperdiçou a oportunidade de fazer algumas críticas sociais. Na opinião dela, o País investe muito pouco nas crianças.

“Se as crianças, principalmente as mais pobres, tivessem mais esporte, cultura e lazer, não precisaríamos construir tantas penitenciárias, que custam horrores ao Estado”, alfineta.

Por duas vezes, durante a palestra, Zilda provocou o prefeito de Botucatu, Antônio Mário Ielo (PT), presente ao evento, sobre a importância que o poder público tem na elaboração de políticas voltadas às crianças e adolescentes.

O trabalho da pastoral com as gestantes tem, entre outros objetivos, segundo Zilda, tratar a questão da violência desde a concepção da criança. “A vida adulta é um reflexo do que a pessoa viveu em sua infância”, relaciona.

A coordenadora da Pastoral da Criança classificou a concentração de renda no Brasil como um “câncer” que estaria a corroer as estruturas sociais. Zilda criticou também a política de distribuição de cestas básicas. “Eu não sou contra a doação de cestas, mas é um procedimento ineficaz”, ataca.

Ela lembrou que Maranhão e Piauí são os dois Estados mais pobres do Brasil, conseqüentemente são os campeões no recebimento de cestas básicas e nem por isso apresentaram melhora nas estatísticas sociais.

Zilda é também coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa (fundada há dois anos) e representante titular da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Conselho Nacional de Saúde. Ela é irmã do arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns.

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