Pixotes ainda existem aos montes pelos cantos do Brasil. Um deles em Bauru, esteve na semana passada no Albergue Noturno para tomar um prato de sopa. Depois, voltou a perambular pela cidade. Solteiro e com 31 anos, o rapaz que estudou até a 4.ª série do ensino fundamental tem o perfil do morador de rua de Bauru.
Sua descrição consta em pesquisa realizada pela Faculdade de Serviço Social de Bauru (FSSB) da Instituição Toledo de Ensino (ITE), que identificou 52 pessoas em situação semelhante vivendo nas ruas da cidade. O trabalho, solicitado pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), balizará políticas públicas municipais destinadas a resolver o problema social.
Até lá, Pixote seguirá por aí. “A minha casa é esse boné aqui. Quando sinto sono, deito e durmo, em qualquer lugar. Como melhor que muita gente e bebo pinga mesmo, senão fico tremendo. A rua é uma escola. Fiz um milhão de amigos”, diz. O otimismo dele, porém, se esvai quando afirma com peculiar rapidez que deixaria a vida que leva se tivesse chance de trabalhar.
“A população de rua é um segmento social que expressa uma situação-limite de miséria, são vítimas de um sistema capitalista extremamente exacerbado, que as tornam marginalizadas”, analisa Maria Inês Fontana, coordenadora do Núcleo de Apoio à Pesquisa da FSSB.
Seu comentário tem o respaldo de quem, em aproximadamente cinco meses, idealizou o projeto, preparou o formulário respondido pelo público-alvo, treinou 30 alunos e, na companhia deles, também foi a campo.
“Levantamos quem são, se têm família e qualificação profissional, por exemplo. Fechamos no final de outubro (a pesquisa) e vamos entregá-la à Sebes. Eles fazem parte de um padrão social imposto por uma sociedade regida pela mais-valia, pela lei do lucro, do consumismo, de uma sociedade que carrega o estigma de que o trabalho dignifica o homem, excluindo assim, os desempregados”, acrescenta.
A situação, no entanto, pode ser alterada. Pelo menos é o que espera a titular da Sebes, Elgi Muniz. Representantes da pasta irão a São Paulo nesta semana para conhecer o programa desenvolvido na Capital que, a cada três anos, realiza censo para levantar o número da chamada população de rua.
“Vamos buscar alternativas. A criação de uma cooperativa para catadores de materiais recicláveis é uma delas. Mas a política municipal depende do respaldo do governo estadual e federal”, pondera Muniz.
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Dica
A pesquisa completa desenvolvida pela Faculdade de Serviço Social está disponível aos interessados, que podem procurar a Instituição Toledo de Ensino (ITE) sobre a população de rua em Bauru para requisitar informações. O assunto também pode ser acompanhado pelo siteamordecao.blog.uol.com.br, onde o cotidiano da população de rua de São Paulo é descrita.
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Pixote
Fernando Ramos da Silva ficou conhecido ao interpretar em 1981, o papel-título em “Pixote - A Lei do Mais Fraco”, filme de Hector Babenco. Porém, quando a fama acabou, ele não conseguiu trabalho como ator e se enveredou pelo crime, como o personagem que interpretou.
Morreu em 1987, num suposto confronto com a polícia.
A vida de Fernando foi retratada no longa de 1996 “Quem matou Pixote?”, do diretor José Joffily, que ganhou sete Kikitos de Ouro, no Festival de Gramado.
Da Redação