Geral

Albergue Noturno é referência para maioria que vive nas ruas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 1 min

Instituído para atender especialmente os migrantes, o Albergue Noturno, entidade ligada ao Centro Espírita Amor e Caridade, é referência entre os moradores de rua. Dos 52 entrevistados, 84% já foram atendidos na instituição, onde dormem 34,62% deles.

O número só não é maior porque para passar a noite no Albergue é necessário tomar banho. “Tem gente que janta e dorme da praça. Não quer tomar banho. Diz que está gripado, com dor de cabeça ou machucado. A luta é grande. Tem plantonista nos banheiros feminino e masculino. Tem gente que deixa a água correndo, mas não entra”, conta Anunciata dos Santos Crepaldi, diretora administrativa do Albergue.

Por essa razão, boa parte deles procura a entidade só para se alimentar. Na rua, o mais comum é que eles recebam um copo de leite. Por essa razão, 48% apontam a fome e o frio como as principais desvantagens da rua. “A pessoa dá um copo de leite em copo descartável para não prolongar a história. Todos eles tem latinha (de leite). Colocam a comida lá e levam para comer em outro local”, explica Anunciada.

Mas nem sempre é assim relata Adelino Gonçalves, 50 anos. Ele conta que chega a passar um dia inteiro sem comer nada. “Essa vida não presta. Já quis até botar uma faca em mim mesmo. Peço a Jesus para liberar a minha sorte”, fala, após ser acordado pela reportagem enquanto dormia sob a marquise da estação ferroviária da Noroeste do Brasil.

Comentários

Comentários