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‘Dente de laboratório’ deve salvar sorriso do brasileiro

Por Alessandra Cerione de Miranda | Especial para o Jornal da Cidade
| Tempo de leitura: 3 min

Como seria bom se ao invés de restaurar dente cariado, o paciente pudesse receber um novo, criado em laboratório a partir de suas próprias células. Provavelmente os resultados seriam ainda melhores dos que os tão bons já conquistados pelos implantes sintéticos produzidos atualmente. E mais: não haveria risco da rejeição já que o produto utilizado seria do próprio paciente.

Isso tudo parece filme de Hollywood? Pois não é. Embora ainda não disponíveis, os avanços obtidos pelos estudos do casal de cirurgiões-dentistas brasileiros Silvio Eduardo Duailibi e Mônica Talarico Duailibi, pesquisadores do Centro Interdisciplinar de Terapia Gênica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que trabalha em conjunto com uma equipe norte-americana, indicam que isso tudo está cada vez mais próximo da realidade.

Silvio e Mônica vão estar em Bauru na quinta-feira para falar sobre seus experimentos durante a conferência “Células-tronco: Engenharia Tecidual e Medicina Regenerativa”, que será realizada no Teatro Universitário da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), às 20h, com entrada gratuita mediante inscrição no local. Trata-se de uma promoção do Centrinho e do Departamento de Estomatologia da FOB através da disciplina genética molecular das anomalias craniofaciais.

O casal trabalhava com pacientes especiais e, por isso, estava sempre à procura de novas alternativas terapêuticas. Nessa busca, esbarraram em Joseph Philip Vacanti, o cientista que ficou mundialmente conhecido pela criação de uma orelha na forma humana nas costas de um rato.

Foi Joseph quem convidou Silvio e Mônica para participarem do projeto Substituto Biológico do Dente no Massachusetts General Hospital (MGH), junto com Pamela Crotty Yellick, desenvolvido no Forsyth Institute, em Boston (Estados Unidos), e ligado à Harvard School of Dental Medicine.

Em suas teses de doutorado, os cirurgiões-dentistas brasileiros conseguiram isolar e multiplicar células que haviam sido retiradas de dentes em fase de desenvolvimento de ratos mais jovens. Depois, estas células foram plantadas em modelos fabricados com polímeros biodegradáveis, na forma de dentes, que serviram como orientação durante o crescimento celular. Então, estes polímeros foram implantados no organismo de ratos receptores.

A região do organismo escolhida para receber o implante foi o abdome, por ser altamente vascularizada, o que permitiu a nutrição do experimento implantado.

Após 12 semanas de espera e observação, o casal Duailibi notou a presença de dentes, o que comprovou a viabilidade da pesquisa. Surgia a terceira dentição em ratos a partir de células-tronco adultas de outro animal da própria espécie. Os Duailibi obtiveram os primeiros resultados positivos, conseguindo desenvolver um dente a partir de células-tronco adultas.

O resultado da pesquisa foi publicado em julho, no Journal of Dental Research, uma consagrada publicação da área de odontologia. Antagonizando as descobertas, quase 15% dos brasileiros já perderam todos os dentes, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Como funciona

As células-tronco são um tipo de célula que ainda não se diferenciou e, por isso, possui a capacidade de desenvolver qualquer tipo de tecido do corpo humano. Na pesquisa do dente, foram utilizadas células-tronco adultas retiradas da estrutura dentária de ratos para desenvolver uma terceira dentição.

O material do doador foi implantado em outro indivíduo da mesma espécie, o que garantiu uma margem muito baixa do risco de rejeição.

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