Nacional

Sífilis adquirida por bebê desafia saúde pública, afirma especialista

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

A sífilis congênita, doença adquirida pelo bebê durante a gestação, representa um desafio à saúde pública do Brasil, avalia o ginecologista e obstetra Mauro Romero, diretor científico da Sociedade Brasileira de DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis), presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de Niterói e membro da diretoria da Fundação das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

Segundo a Coordenação Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, surgem 900 mil casos novos da doença por ano no País. Mauro Romero afirma que somente a partir de uma conscientização geral é que se poderá vencer essa doença. Essa mobilização, indica o especialista, envolve a educação da população desde a gestante, através da realização do exame pré-natal e do teste sorológico para sífilis, até os médicos e os gestores da saúde pública.

A taxa de incidência da sífilis no Brasil é cerca de 16 vezes superior à preconizada pela Organização Mundial da Saúde. Isso significa “um caso de sífilis congênita para cada 1.000 nascidos vivos”, explica Romero. Ele destacou a necessidade de os profissionais atentarem para o fato de que a sífilis na gravidez é uma urgência médica, com risco de vida. Cerca de 40% das mulheres não tratadas durante a gravidez passam o problema para o bebê.

As conseqüências, acrescenta o médico, vão do aborto nos primeiros meses até o bebê nascer vivo com sífilis ou já nascer morto pela doença. “A medicina não conhece ainda quando se dá o momento da transmissão da mãe para o bebê. Por isso, quanto mais rápido atuar, melhor”, explica o especialista, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Além de os médicos cobrarem, na primeira consulta, que o resultado do teste seja apresentado rapidamente, os gestores devem dar condições de acesso da população a esse exame, propõe Romero, que também destaca o papel da mídia, para dar visibilidade às necessidades de mudança nessa área. A realização desse trabalho conjunto, acrescenta, levaria à redução do nível de sífilis congênita no Brasil em dois ou três anos.

“A situação reflete a falta de organização da saúde pública brasileira. A sífilis congênita é uma doença-sentinela: quando ela existe, revela ser medíocre o poder de saúde pública, que vai desde o poder público, passando pelo poder privado e pela mídia”, argumenta. O diagnóstico custa R$ 5,00 e o tratamento, à base de penicilina, até R$ 30,00.

Comentários

Comentários