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Executivas do amor

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 9 min

“Filhas” da revolução feminina, elas são bonitas, inteligentes, bem-sucedidas, independentes, malhadas, elegantes, mas sozinhas. Essas características definem as mulheres-cabeça, que possuem muita energia para os negócios e pouca disposição para atrair ou manter um relacionamento afetivo, explica a escritora e empresária Claydia Toledo, 39 anos, especialista em comportamento humano.

Autora do livro “Manual da Cara Metade” e sócia-proprietária da A2 Encontros, uma das principais agências de relacionamentos do Brasil, ela ministra palestras em diversas cidades sobre a evolução e os efeitos da “síndrome das mulheres-cabeça”.

“As mulheres queriam muito ter um lugar no mercado de trabalho e serem bem-sucedidas nessa área. Elas começaram a entender as leis masculinas e foram desenvolvendo suas habilidades, só que deixaram a magia feminina de lado”, aponta Toledo, em entrevista concedida ao Jornal da Cidade.

Segundo ela, o grupo das executivas solitárias está em expansão, principalmente nos grandes centros urbanos. Prova disso é a maior procura feminina em agências de relacionamentos, destaca a escritora. O problema é que muitos dos encontros, com elementos para serem promissores, caem por água abaixo quando as mulheres-cabeça assumem exclusivamente seu lado racional, diz a escritora.

Casada há 15 anos e mãe de dois filhos, de 8 e 4 anos, Toledo afirma ter elementos do perfil mulher-cabeça. Porém, abusa da flexibilidade e amorosidade em seus relacionamentos para saborear uma doce mistura de razão e sentimentos. Esses e outros assuntos foram tema da entrevista a seguir.

JC – Qual é o perfil das mulheres-cabeça?

Toledo - São as mulheres da atualidade, que têm muita vitalidade e que sabem o que querem e para onde vão. Essas mulheres têm esses ingredientes mais ianques, que são mais masculinas. Elas são financeiramente bem-sucedidas, têm sucesso e um ótimo trabalho, praticam academia ou outra atividade física e têm suas metas muito bem traçadas, com um planejamento definido, só que são mulheres que não estão felizes na área amorosa.

JC - Por quê?

Toledo - Elas são as mulheres do “pensar” em detrimento do “sentir”.

JC - As mulheres-cabeça são fruto das conquistas da revolução feminina?

Toledo - Sim. O que aconteceu é que as mulheres queriam muito ter um lugar no mercado de trabalho e serem bem-sucedidas nessa área. Elas começaram a entender as leis masculinas e foram desenvolvendo suas habilidades, só que deixaram a magia feminina de lado.

JC - Como incluir “ingredientes” femininos nesse cenário?

Toledo - Se a mulher precisa malhar, ter força física para carregar a sacola do supermercado e empurrar o carro no meio da rua, ela também pode desenvolver atividades como a dança, melhorar seus relacionamentos e a energia sexual, que está relacionada à flexibilidade da água. Essa flexibilidade está ligada a contatos e ao fato de atrair pessoas e parceiros, que é uma área na qual a mulher está fechada. Muitas são bravas, duronas e rígidas e por isso elas precisam se “ondular”. Para ser atraente é preciso desenvolver a energia sexual e para isso a mulher necessita ser flexível.

JC - De que forma a mulher pode trabalhar essa flexibilidade de forma eficaz?

Toledo - Na dança, por exemplo. A mulher-cabeça pode ligar o aparelho de som no banheiro enquanto toma banho e ouvir uma música que ela goste muito. Em seguida, ao se vestir, ela pode continuar dançando enquanto escolhe a roupa, se envolvendo com a música. Esse comportamento pode ainda se estender enquanto ela faz a maquiagem. Uma dica para explorar o “sentir” é se maquiar nua, deixando a roupa para colocar no final.

JC - Existem mulheres-cabeça casadas?

Toledo - Sim. Há mulheres que estão casadas há muito tempo e são tão cabeça que o relacionamento está sem energia sexual. Quando não está atraindo a atenção do homem, que muitas vezes não toca mais nela, a mulher está com esse ponto fechado. Outro lado fundamental para a mulher-cabeça, casada ou não, é desenvolver a amorosidade. Todo homem quer uma mulher com energia sexual que o ame, seja alegre e criativa. São esses os três chacras básicos ou os três ingredientes femininos básicos. A amorosidade ou aceitação é o amor maior, incondicional e que coloca o outro no “sentir”, porque a pessoa está sempre conectada ao coração.

JC - A senhora é sócia-proprietária da A2 Encontros, uma das maiores agências de relacionamento do Brasil, com 3.500 pessoas no cadastro. Está mais difícil encontrar parceiros?

Toledo - Temos um volume de pessoas grande e promovemos diversos encontros todos os dias. Diariamente nós escutamos que o homem saiu com uma mulher e ela parecia estar fazendo uma entrevista de emprego durante o encontro. A mulher está tão “mental” que ela começa a falar, falar e falar mentalmente. E o amor não nasce assim. Ele nasce do “sentir”.

JC - Falta romantismo?

Toledo – Sim. Por exemplo: quando um homem e uma mulher saem juntos e sentam na frente um do outro, em um momento eles se olham nos olhos, ele pega na mão da moça e os corações disparam. É assim que acontece o amor e não quando a pessoa senta na frente da outra e pergunta qual é a profissão, horário de trabalho, como é o relacionamento com a família ou porque ela se separou. A amorosidade e a aceitação representam o estado da mulher de “sentir”, porque ela tem a capacidade de estar conectada ao coração e ao amor. Ela tem o dom de colocar o homem nesse estado. Se ela é casada, pode ir até a porta, tirar o casaco do marido, passar a mão nos seus cabelos, fazer carinho, levá-lo para tomar banho e servir o jantar.

JC - Mas para muitas mulheres esse comportamento não é sinal de submissão?

Toledo - A mulher está achando isso, mas na verdade se ela não sabe colocar o homem e também ela mesma no “sentir”. Com essas atitudes, acaba não fazendo nenhuma outra atividade afetiva. No passado a mulher não encarava isso como submissão porque estava conectada ao “sentir”; quando o marido chegava cansado, por exemplo, ela se preocupava em fazer alguma coisa para ele relaxar.

JC - A sociedade atual exige, na maioria das vezes, que a mulher trabalhe e ajude no sustento familiar. De que forma ela pode equilibrar seu lado racional e mental?

Toledo - Se ela deixar essa história do “mental” e “racional” para a hora do amor não acontece nada. Ela deve usar seu lado racional na rua e não levá-lo para dentro de casa. A mulher não precisa mais do que duas horas por mês para usar seu lado racional com seu marido, conversar sobre dinheiro e dividir as contas. Eles falam dos planos, o que vão guardar, qual é o objetivo do mês e acabou, é para isso que serve o “racional”. Muitas vezes a mulher-cabeça está fora do estado amoroso e de aceitação pois vive com a cabeça somente cheia de problemas e preocupações. Uma alternativa para desenvolver a sensibilidade é tomar banho, ouvir uma música, dançar e se arrumar para a noite, porque muitas vezes ela se arruma para trabalhar e não se arruma quando vai encontrar o homem. A senha de acesso amoroso masculino é visual e da mulher é auditiva. Para que ela escute belas coisas, precisa estar linda.

JC - A amorosidade deve ser cultivada apenas pela mulher?

Toledo - A mulher é a lua, que é de fases. O homem é o sol, que é constante e ilumina tudo. A face da lua que é vista da Terra é iluminada pelo sol; a outra face é oculta e representa a mulher e o mistério feminino. Um dos princípios que fazem parte do universo feminino é o criativo. A criatividade é baseada na arte, como a culinária, que encanta todas as pessoas. Mas a arte de se vestir, se maquiar, pentear, estar bela, a arte de receber e ser alegre também faz parte do universo criativo. A pessoa que cria é ativa, está em contato com o criador e em estado divino.

JC - As mulheres-cabeça estão se casando mais tarde?

Toledo - Sim, há dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesse sentido. As mulheres atualmente se casam mais tarde porque elas querem ser profissionalmente bem-sucedidas para depois resolverem seu lado afetivo. E o que está acontecendo é que elas não estão encontrando o amor. Muitas estão ficando sozinhas. É importante que a mulher seja ativa, mas não adianta se ela não tiver ingredientes femininos. Por exemplo, se ela é ativa e “mental”, provavelmente será amiga dele apenas. O homem quer ao seu lado uma companheira com beleza, energia sexual, flexibilidade, criativa e, principalmente, que o ame e o aceite. Isso é o que a mulher-cabeça não é.

JC - Nesse cenário as mulheres-cabeça costumam deixar os filhos para mais tarde ou nem tê-los?

Toledo - Sim, com certeza. Eu, por exemplo, demorei cinco anos para ter filhos.

JC - A senhora é uma mulher-cabeça?

Toledo - Sim, continuo sendo. Sou escritora, empresária, tenho muitas atividades diárias e dou palestras no Brasil inteiro. Trabalho bastante e tenho um foco grande nos negócios. Sou uma executiva mesmo, só que uma executiva do amor. Eu cultivo sempre o lado feminino. Não desço a escada da minha casa, por exemplo, sem estar maquiada. Quando meu marido chega em casa, o ambiente, de fato, o acolhe. Dedico tempo às crianças, me relaciono com elas e fazemos coisas interessantes juntas. Às vezes eu e meu marido jantamos à luz de velas junto com nossos filhos, sem problema nenhum.

JC - Quais são os benefícios em ser uma mulher-cabeça?

Toledo - Ela tem grande sucesso, é forte, carrega compras, arrasta móveis e usa o corpo muito bem, o que é um ganho muito positivo. Outro ponto positivo é que ela é ativa, dinâmica e tem planejamentos e metas, o que demonstra que ela sabe muito bem o que quer. A mulher-cabeça desenvolveu o corpo físico e o corpo mental intensamente, e como ela já tem tudo isso, o que convém agora é trabalhar a sensibilidade para que ela volte a desenvolver sua essência. A mulher pode ter as duas coisas, só é preciso aflorar o lado feminino e saber equilibrar o lado “racional” e “mental”.

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