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Santo André surpreende Bauru na Panela

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

Foi um jogo atípico na Panela de Pressão. O pouco público que enfrentou o calor, ontem à noite, viu o Bauru/Plasútil-Sukest perder para os próprios erros e ser surpreendido, dentro de casa, pelo Santo André/São Paulo FC por 87 a 81. O cestinha do confronto foi Fábio, do time visitante, com 24 pontos. O maior pontuador bauruense foi André, com 16.

Uma partida que a maior parte da torcida dava como ganha foi perdida em falhas no ataque: arremessos precipitados, erros de passe e um certo excesso de confiança que até se justificava, pois quando o time jogou para valer conseguiu abrir vantagem no placar. Bauru jogou com tranqüilidade da vitória e, assim, quando percebeu que poderia perder, não conseguiu reagir.

O próximo compromisso da equipe é contra o líder Franca/Mariner/Unimed, na quinta-feira, a partir das 20h, novamente na Panela de Pressão.

O jogo

Não havia pressão, pois o público era pequeno, mas o calor lembrava mesmo uma panela em ebulição. O pouco público fazia com que o ruído do solado de borracha dos tênis dos jogadores em contato com a quadra, notas musicais para quem ama basquete, fosse ouvido por todo o ginásio.

Dentro da quadra, Bauru demorou 2min11s para pontuar, com Neto. E o jogo seguiu cheio de erros de ambos os lados. O nível técnico não foi bom em todo o período, que valeu mesmo pela belíssima enterrada de Leandro. O pivô bauruense roubou a bola, partiu para o ataque, subiu e, após malabarismo no ar, cravou. A jogada levantou a torcida. No entanto, a vitória no quarto foi do Santo André por 22 a 21.

Na segunda parcial, Bauru voltou mais organizado e conseguiu reverter o placar. Sofreu uma pressão mais forte nos minutos finais, mas conseguiu conter a euforia do time do ABC e garantiu vantagem de oito pontos: 49 a 41. Ficava nítido que o time lutava para não se desconcentrar.

No terceiro quarto, a velocidade do jogo aumentou na medida em que a temperatura na Panela baixou. Santo André, ancorado em excelente aproveitamento nos arremessos de três pontos e numa defesa agressiva, virou o placar em 58 a 56. Bauru era total desatenção, que chegou a beirar a displicência. Apesar de tudo, em momentos de lampejos de seu jogo característico - defesa forte e transição para os contragolpes - conseguiu virar e fechar o período em 69 a 62.

No quarto final, o que ninguém acreditava aconteceu. Bauru se manteve à frente, mas sem conseguir uma vantagem cômoda. Depois de sucessivos erros de ambos os lados, o Santo André se deu melhor e voltou a passar à frente em 73 a 71.

O final acabou sendo dramático. Faltando 34 segundos, a comemoração era do banco andreense, que festejava a vantagem de seis pontos (84 a 78). Bauru partiu para as faltas, mas o aproveitamento dos adversários nos lances livres garantiram a vitória por 87 a 81. Frustração do time e torcedores.

Técnico reprova

Após a partida, os jogadores, chateados, deixaram a quadra rapidamente. Já o técnico Raul não escondeu seu desapontamento com a equipe. “Bauru estava fazendo uma campanha melhor (do que o Santo André), só que jogando de uma forma consistente, de uma forma coletiva e hoje (ontem) achou que podia jogar diferente. No vestiário eu já tinha falado para eles e eles acreditaram que a melhor forma era a forma deles e pagaram o preço”, lamentou.

O técnico revelou que a equipe jogou fora de suas características. “Eu insisto que o arremesso não é essencial, a gente tem que trabalhar, criar desequilíbrio na defesa, trabalhar com corte para dentro. Hoje (ontem), todo mundo achou que podia arremessar à vontade. O time deles joga dentro de um sistema onde o arremesso é prioridade e é melhor do que o nosso neste quesito. Quer dizer, nós jogamos como eles e pagamos o preço”, avaliou.

Raul mostrou preocupação com as conseqüências da derrota na campanha do Plasútil-Sukest no Estadual. “(Santo André) É uma equipe do mesmo nível da nossa, assim como tem Americana. As outras quatro equipes (Limeira, Araraquara, Franca e Assis) são melhores em termos de estrutura e tudo mais. A gente pagou o preço de achar que a nossa campanha iria ganhar o jogo. Campanha não ganha jogo, o que ganha jogo é o trabalho e a filosofia de jogo ser respeitada, o que não teve hoje.”

Do lado de Santo André, o pivô Daniel revelou a estratégia da equipe. “A intenção era segurar o jogo até o final e forçar a defesa para conseguir o contra-ataque. A gente sabia da dificuldade e da força de Bauru aqui dentro. Isso ( a vitória) vai dar um patamar um pouco melhor na competição”, comemorou.

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