Por serem lugares onde descansam os mortos, os cemitérios são um prato cheio para o surgimento de lendas de assombrações e contos de terror. A começar pela própria construção Cemitério da Saudade em Bauru, que possui uma história com final trágico e que até hoje não se sabe se é lenda ou realidade. Nesse mesmo local, existe ainda a história do “Dito-pé-de-breque”, um morador ilustre que muitos acreditam ter sido um verdadeiro fantasma. Mas nada é tão misterioso quanto a história das crianças que morriam logo após o nascimento no distrito de Tibiriçá, entre os anos 40 e 50.
De acordo com o registro de óbitos da subprefeitura do local conferido pela reportagem, apenas em 1944 foram registradas as mortes de 86 pessoas com idade entre zero e 7 anos. O mais curioso é que a maioria delas faleceu logo após o nascimento ou apenas alguns dias depois.
Na época, os partos eram realizados por parteiras que habitavam o local. Além disso, as condições de higiene também não deviam ser apropriadas e a possibilidade de uma epidemia também não estaria descartada. No entanto, algumas pessoas acreditam que essa alta taxa de mortalidade possa estar relacionada a alguma lenda da época.
Embora essas histórias não tenham sido confirmadas pelos moradores mais antigos de Tibiriçá, existem relatos de outras regiões que atribuem as mortes ao costume das parteiras de, antes de realizar o corte do cordão umbilical, deixar a tesoura fincada no pé de bananeira ou até mesmo no chão.
O hábito, que poderia contaminar a tesoura e mais tarde provocar infecções, é considerado apenas uma lenda, por que não existe nada que ligue os óbitos daquelas crianças com a atividade das parteiras.
Quanto ao Cemitério da Saudade, a lenda se confunde um pouco com a realidade. De acordo com memorialistas, por volta do início do século passado, o empresário do ramo hoteleiro João Henrique Dix doou algumas terras de sua propriedade para o município. A doação foi feita para que pudesse ser construído um cemitério.
A inauguração ocorreu em 26 de julho de 1908, no entanto, de acordo com um historiador bauruense, antes desta data o empresário estaria bastante ansioso para que o local começasse a funcionar logo. No dia seguinte à inauguração, Dix se matou com um tiro no coração.
Muitos acreditam que o empresário teria se suicidado para ser o primeiro a ser enterrado no terreno que era dele, mas embora ele tenha deixado uma carta-testamento os verdadeiros motivos jamais ficaram esclarecidos, alimentando a curiosidade dos bauruenses que visitam o cemitério.