São Paulo - Por volta das 10h de ontem, a pedagoga Aparecida Miranda Villalba, 27 anos, entrou na enfermaria de um hospital da zona sul de São Paulo e reconheceu o paciente que estava há mais de dois meses no local, em coma e sem identificação. O nome do rapaz é Hélio Miranda, 35 anos, mineiro de Ervália e, segundo Aparecida, sua irmã, não fazia contato com a família há cerca de seis anos.
Segundo relato da assistência social do hospital, ao entrar no quarto, Aparecida chamou o irmão pelo nome. “Helinho.” Mesmo em coma, o rapaz chorou e se agitou no leito. Centenas de pessoas que buscam familiares desaparecidos estiveram no hospital desde o início da semana passada, quando a unidade divulgou o caso.
A polícia demorou mais de dois meses para fazer uma foto do paciente e colher suas digitais. A imagem foi divulgada na última quinta-feira. Ontem, a Secretaria da Segurança informou ter verificado recentemente que uma pessoa confessou ter atropelado um homem na mesma data (21 agosto) e região em que Hélio foi encontrado.
O atropelado levava uma carroça de papelão. Segundo a secretaria, a vítima seria Hélio. A mãe do rapaz, que vive em Ervália, viu as fotos pela TV e ligou para a filha, que mora no Rio de Janeiro. Aparecida acessou as imagens pela Internet. “Não tive dúvidas.”
A confirmação de que se tratava de Hélio foi feita por meio de suas impressões digitais. Segundo a família, o rapaz ligava de vez em quando para casa, dizia que estava bem e trabalhando, mas não informava seu endereço. “Ele veio a São Paulo tentar a vida como qualquer pessoa que queria crescer. Sempre foi muito honesto, não bebe e não fuma. Vamos cuidar o melhor possível e rezar para que volte ao normal." Segundo o diretor-clínico do hospital, Odair Marson, ele deve ter alta dentro de dez dias.