Economia & Negócios

Sem leilões, criadores somam prejuízos

Da Redação
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Hoje completam 15 dias desde que o governo estadual proibiu a concentração de bovinos e outros animais suscetíveis à febre aftosa em feiras, leilões e rodeios no Estado. Estimativas de mercado feitas durante a 32.ª edição da Grand Expo Bauru 2005 apontam para valores de até R$ 700 mil que deixaram de ser contabilizados por pecuaristas com a venda de gado durante os leilões que foram suspensos.

Edson Toledo Verdó, criador e proprietário de uma leiloeira, conta que, mensalmente, já chegou a comercializar entre 1.000 e 1.500 cabeças de gado, o que corresponde a valores de aproximadamente R$ 350 mil a R$ 500 mil. “A receita pára, mas as despesas continuam com as vacinas e outros gastos (com a manutenção dos animais na propriedade)”, afirma o pecuarista.

Administrador de fazenda Marcelo Lima contava com a primeira parcela de R$ 45 mil da venda das 423 vacas que ele iria negociar durante leilões na feira agropecuária de Bauru. O dinheiro, segundo ele, já estava previsto para a manutenção do pasto e pagamento dos 90 funcionários da propriedade. O prejuízo veio quando Lima resolveu deixar o gado no pasto.

“Nesta época, em que não há pastagem, o gasto com vacinas e suplementos aumenta”, revela o administrador. Segundo ele, manter as vacas em confinamento até o dia 10 de dezembro, data prevista para o próximo leilão do qual planeja participar, vai custar cerca de R$ 14 mil, o equivalente a 43 novilhas.

Outro dano visível para os criadores foi a queda nos preços da carne bovina, que antes do surgimento dos focos de febre aftosa registrados no Mato Grosso do Sul estavam em alta. “Em 15 dias, o preço da arroba do boi caiu de R$ 60,00 para R$ 50,00”, afirma Lima.

Os casos da doença fizeram com que os pecuaristas tivessem perdas além do cancelamento dos leilões, já que os frigoríficos da região de Bauru estão diminuindo a quantidade de abates de bovinos em função das restrições impostas por diversos países para a importação da carne brasileira. Atualmente, 49 países estão barrando a entrada de carne bovina do Brasil, total ou parcialmente.

Na ocasião em que o governo estadual determinou a proibição da concentração de bovinos, o diretor do Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Bauru, Mauro Braga Mello, considerou a medida correta para evitar o surgimento de focos de febre aftosa no Estado de São Paulo.

Questionado ontem sobre a possibilidade de liberação da concentração de bovinos, ele disse que a decisão é por tempo indeterminado. “Só quem pode liberar é a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.”

A segunda etapa de vacinação contra febre aftosa, que no Estado de São Paulo começou mais cedo neste ano, prossegue até o dia 30 de novembro. De acordo com o diretor do EDA, na primeira etapa, realizada em maio, a cobertura vacinal atingiu a marca de 99,75% na região abrangida pelo órgão, que inclui 15 municípios.

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