Há anos esperando asfalto, moradores do Núcleo 9 de Julho deram graças quanto algumas quadras do bairro foram calçadas com bloquetes sextavados feitos com uma mistura de cimento, pedra e areia. O pavimento pode substituir o asfalto em ruas de trânsito leve com a vantagem de ser cerca de um terço mais barato. Agora, a experiência das duas quadras poderá ser estendida a outros bairros com a liberação de verba estadual para comprar equipamentos necessários para fabricar os bloquetes.
Os “tijolos” usados nas duas quadras do Núcleo 9 de Julho foram feitos com maquinarão do Instituto Penal Agrícola (IPA), num convênio com a prefeitura, conta Nélson Fio, secretário das Administrações Regionais (Sear). Ontem, o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) anunciou que o governo do Estado, por meio da Secretaria de Economia e Planejamento, autorizou a liberação de R$ 48 mil para serem aplicados na aquisição de equipamentos para fabricação de bloquetes.
“São equipamentos úteis para produzir em grande escala os referidos bloquetes que poderão ser aplicados em obras de melhorias de logradouros públicos, como praças, e também no pavimento de ruas e avenidas desprovidas de asfalto”, ressaltou Tobias. De acordo com ele, o convênio deverá ser assinado nos próximos dias, após a prefeitura encaminhar a documentação necessária e o projeto técnico ao governo do Estado.
Fio estima que a verba estadual será suficiente para aquisição de cinco betoneiras e cinco mesas vibratórias manuais, equipamentos necessários para a fabricação de bloquetes. “Com isso teremos condições de quintuplicar a produção de bloquetes. A nossa proposta é fazer uma parceria com associações de moradores, com cooperativas de trabalho, para operar esses equipamentos. Eles venderiam a produção para prefeitura, numa iniciativa de geração de emprego”, revela.
O titular da Sear vai, agora, encaminhar o projeto à Secretaria de Negócios Jurídicos para análise da legalidade da parceria. Fio afirma que o calçamento feito em maio no Núcleo 9 de Julho está em boa qualidade.
A dona de casa Maria de Lourdes Siqueira da Silva, que mora na rua Francisco Gabriel de Andrade, uma das vias que recebeu o calçamento, aprova a tecnologia empregada, mas acha que ainda pode ser melhorada. “Está 10 mil vezes melhor. Quando a rua era de terra, era só lama e buraco. Mas acho que teria que ser colocado cimento entre os bloquetes e não areia, como foi feito. A areia acaba se acumulando na beira da guia e a gente tem de limpar”, comenta.
Após cinco meses, a moradora conta que uma carreira de bloquetes, provavelmente onde um caminhão pesado tenha passado, rachou. “E tem um lugar que as pedras afundaram acho que porque teve vazamento de água ou esgoto”, relata.
Vizinho de Maria de Lourdes, Sebastião Batista da Silva, morador na quadra 1 da rua Luiz Daré, está esperando os bloquetes há meses. “Já tiraram a areia da rua, puseram terra vermelha, nivelaram o solo, mas nada de começar a assentar os bloquetes. Está pior porque agora, quando o vento bate, levanta uma poeira danada. E quando chove, fica uma lama na rua”, reclama.