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Dilma quer gastar mais e nega conflito

Folhapress
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São Paulo - A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, cobrou ontem mais investimentos do governo nas áreas de logística e energia, mas negou que faça oposição dentro do ministério ao seu colega Antônio Palocci (Fazenda), principal defensor de um rígido controle de gastos oficiais. Apontada como um contraponto a Palocci dentro do governo, Dilma disse que a Fazenda também quer o aumento dos investimentos do governo. “A posição da Fazenda e da Casa Civil são complementares até porque ontem a consciência de que esses recursos são para gastar é a mesma na Casa Civil e na Fazenda.

A Fazenda também percebe claramente a importância de se gastar e investir em infra-estrutura. Acredito que tem muita agitação para pouca base”, disse a ministra. No entanto, levantamento da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib) informou que o governo gastou apenas 27% dos investimentos previstos para 2005 em infra-estrutura. Segundo o levantamento, que contabilizou os ministérios da Integração Nacional, das Cidades, das Minas e Energia, das Comunicações, do Meio Ambiente e dos Transportes, dos R$ 5,76 bilhões autorizados para o ano, somente R$ 1,55 bilhão foi gasto até novembro.

Segundo Dilma, os investimentos em logística e energia são pilares da economia que devem ser somados à estabilidade econômica. Setores da indústria já prevêem um “apagão” energético em 2009 sem novos investimentos no setor. “O país tem que ter uma economia baseada no pilar da estabilidade e da robustez macroeconômica, no pilar da logística e no pilar da energia”, afirmou a ministra em São Paulo, onde participou de seminário sobre o Proálcool no jornal “O Estado de São Paulo”.

Dilma também afirmou que a meta de superávit primário (receitas menos despesas, excluídos os pagamentos de juros) de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) - a soma das riquezas do País - deve ser cumprida para este ano e para 2006. “A minha posição é a do governo, e a posição do governo é a meta que o governo estabeleceu”, disse ela.

Entre janeiro e setembro, o setor público como um todo já ultrapassou a meta de superávit prevista para todo o ano em R$ 3,7 bilhões, com um percentual que corresponde a 6,10% do PIB. Segundo a "Folha de S.Paulo" apurou, técnicos do governo estimam um superávit primário final para 2005 em torno de 4,6% do PIB. Se depender de Palocci, ficará mais perto dos 5% do PIB. “Um governo não é igual a uma pessoa que quando sobra dinheiro podemos gastar como quisermos. O governo não pode se dar esse direito.

O governo deve gastar em atividades que resultem em benefícios para a economia do país e para o conjunto de sua população”, afirmou a ministra. A ministra afirmou que os investimentos em infra-estrutura têm aumentado com a antecipação de gastos de 2006, proporcionado pela execução orçamentária. “Temos que gastar em estradas, ferrovias, portos, em tudo que se refere à questão da segurança pública, na ampliação do programa de cisternas, que significa levar água à população. De maneira nenhuma, nós podemos nos dar ao luxo de gastar errado”, acrescentou a sucessora de José Dirceu na Casa Civil.

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