As constantes quedas na cotação do dólar serão o presente de Natal de muitos comerciantes e empresários. Ontem, o dólar comercial teve a oitava redução consecutiva, vendido a R$ 2,179 - menor cotação desde abril de 2001. Isso se reflete diretamente nas vendas, pois reduzindo o preço final da mercadoria, o giro de produtos aumenta.
Lojas que comercializam produtos importados são as principais beneficiadas pelo atual panorama financeiro. “Em conseqüência à queda do dólar, as vendas aumentaram cerca de 28% se comparadas com o mesmo período do ano passado”, afirma William Rodrigues Moraes, gerente de uma loja de artigos importados.
O empresário César Eduardo Prando, proprietário de outra loja de produtos importados, reitera o otimismo de Moraes por conta da cotação da moeda americana. “Houve uma queda média de 25% no valor dos produtos. Uma garrafa de uísque que custava R$ 129,00 no mesmo período do ano passado, hoje está custando R$ 93,00”, exemplifica.
Mas a queda do dólar não se reflete apenas nos produtos que vêm de fora do País, pois mesmo itens produzidos no Brasil têm, muitas vezes, componentes importados - principalmente nos setores de informática e eletroeletrônicos -, o que reduz o custo para importadores e consumidores. “Vendo computadores e televisores produzidos no Brasil, mas que têm 60% ou mais de peças importadas. A redução de preços também é grande nestes casos”, conta Moraes.
Outro beneficiado com a redução na cotação do dólar é o setor de turismo. De acordo com a vendedora de uma agência de viagens, Amanda Nunes, o custo dos pacotes turísticos para os países que têm o dólar como moeda corrente - principalmente os Estados Unidos - caiu aproximadamente 30%. “Aumentou em 25% o número de pessoas comprando pacotes de viagens para os Estados Unidos depois da queda do dólar”, ressalta.
Apesar da redução nos preços e, conseqüentemente, do aumento no índice de vendas, o economista Fernando Pinho alerta que a tendência de redução na cotação do dólar deve ser analisada com cautela. “Esse declínio é absolutamente artificial, porque não é gerado pelo fortalecimento da moeda brasileira em relação ao dólar, mas pelas altas taxas de juros, pelo grande fluxo de exportações e, conseqüentemente, pela entrada de capital estrangeiro no País”, explica.
No entanto, Pinho afirma que o momento econômico é ideal para quem pretende quitar dívidas em dólar, viajar para países em que esta é a moeda corrente ou para comprar artigos importados. “É possível que nos próximos três ou quatro meses não haja grandes oscilações, mas não aconselho ninguém a comprar dólares para guardar ou utilizar daqui a seis meses ou mais, pois a moeda não é estável”, diz.