Regional

Preso acusado de extorsão em Marília

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Marília - A prisão do representante comercial Marcelo Alexandre Dias, anteontem em Marília (100 quilômetros de Bauru), pode mudar o rumo das investigações sobre o incêndio na Central Marília Notícias (CMN) ocorrido em setembro.

Dias foi preso enquanto supostamente tentava extorquir uma das testemunhas arroladas no processo para fornecer novo depoimento no caso da CMN. O objetivo seria reforçar as acusações contra a família Camarinha, apontada como a principal suspeita pelo incêndio.

O flagrante da Polícia Militar aconteceu quando Dias estava em um Monza com Carlos Roberto Valdenebre da Silva. De acordo com a polícia, o flagrante ocorreu depois de ficar sabendo que estaria em andamento um suposto seqüestro envolvendo um Monza azul.

Por volta das 10h30 de anteontem, os policiais abordaram o tal Monza azul na rua Monte Carmelo, cerca de dois quarteirões do Fórum de Marília, e descobriram que não havia seqüestro, mas suspeita de extorsão.

Valdenebre estava com R$ 2 mil em dinheiro dentro do bolso. Segundo ele, o dinheiro era para que prestasse novo depoimento. Desta vez, contra os Camarinha. Valdenebre esteve preso por suspeita de envolvimento no atentado contra a CMN, mas foi solto por falta de provas.

Na abordagem de ontem, Dias foi preso em flagrante por corrupção de testemunha. O acusado negou à polícia que tivesse dado dinheiro a Valdenebre para que o mesmo mudasse seu depoimento.

O editor-chefe do jornal Diário de Marília, editado pela CMN, José Ursílio, também foi apontado por Valdenebre como um dos responsáveis pela entrega do dinheiro. Ele contou que recebeu o dinheiro de Ursílio no apartamento de Marcelo Dias, no condomínio Altos da Colina.

O zelador do condomínio confirmou a presença do editor-chefe no local. Ursílio teria chegado em uma S-10 e ficou cerca de 20 minutos no apartamento. Em seguida, os três saíram. Dias e Valdenebre no Monza e Ursílio na S-10. Momentos depois, o Monza foi abordado pela polícia e Dias foi preso.

Segundo Ursílio, foi tudo uma grande armação, que tinha como objetivo flagrá-lo em alguma atitude suspeita. Como não estava no Monza com os outros dois, a tentativa teria fracassado, segundo ele.

Ursílio disse que foi até o apartamento a pedido de Dias. Lá, Valdenebre teria dito que poderia contar muito sobre o atentado, mas o editor-chefe teria dito que o caso deveria ser apresentado ao Fórum e saiu.

Para Ursílio, a “armadilha” foi montada por pessoas ligadas ao ex-prefeito Abelardo Camarinha. Ele apontou o advogado João Simão Neto como um dos responsáveis pela suposta armação. Simão é advogado de defesa dos acusados pelo incêndio na CMN e acompanhava os policiais no momento da prisão de Marcelo Dias. Ele não foi localizado pelo JC para comentar a acusação.

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Mudança de foco

No início deste mês, Amauri Campoy, um dos acusados de ter participado do incêndio responsabilizou José Ursílio pelo crime. Segundo ele, o editor-chefe teria comentado que o valor do seguro a que a CMN tinha direito era alto.

Até então, todas as evidências apontavam o grupo do ex-prefeito como principal suspeito. Ursílio disse que não teme uma reviravolta no caso. “Eu confio no trabalho da polícia e do Ministério Público”, afirma.

O delegado assistente Wilson Carlos Frazão, da Delegacia Seccional de Marília, disse que a acusação contra o editor-chefe do jornal Diário de Marília será investigada pelo 3.º Distrito Policial. Segundo ele, se houver provas contra José Ursílio, o mesmo deverá ser indiciado.

Quanto à acusação contra os demais envolvidos, o delegado informou que a prisão de anteontem não vai mudar nada. “Eles vão continuar respondendo pelo crime.”

Além de Campoy, estão presos Amarildo Barbosa, Bruno Gaudencio Coércio e Anderson Ricardo Lopes. Todos são acusados de terem, de alguma forma, participado do incêndio no prédio da CMN, que edita o jornal Diário de Marília e é proprietária das rádios Dirceu AM e Diário FM, no último dia 8 de setembro.

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