Foi realizada ontem, no Teatro Universitário da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), a conferência intitulada “Células Tronco: Engenharia Tecidual e Medicina Regenerativa”. O evento foi uma promoção conjunta do departamento de Estomatologia da FOB/USP com a superintendência do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) e os Laboratórios de Genética do HRAC/USP.
A conferência foi ministrada pelos professores Silvio Eduardo Duailibi e Mônica Talarico Duailibi, professores do departamento de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), sob a supervisão do professor doutor Paulo Augusto de Lima Pontes e pesquisadores do Laboratório de Engenharia Tecidual situado no Centro Interdisciplinar de Terapia Gênica (Cintergen) da Unifesp, com o objetivo de ampliar o conhecimento e possibilitar discussões sobre as células tronco - células capazes de multiplicarem-se e diferenciarem-se nos mais variados tecidos do corpo humano (sangue, ossos, nervos e músculos).
Segundo Esiquiel de Miranda, biólogo e geneticista do HRAC/USP e professor da disciplina de Genética Craniofacial do Programa de Pós-Graduação em Estomatologia da FOB/USP, os dois professores são os primeiros pesquisadores no Brasil a trabalharem com células tronco em dentes humanos.
Quando cursavam o programa de pós-graduação em Ciências para a obtenção do doutorado no Departamento de ORL-CCP na Unifesp, eles participaram do projeto “Substituto Biológico do Dente” com bolsa sanduíche CAPES como doutorado sanduíche nos Estados Unidos, sob a co-orientação de Dra. Pamela Crotty Yelick e Dr. Joseph Vacanti , reconhecidos como autoridades mundiais neste assunto.
Miranda acredita que com a vinda destes pesquisadores é possível se abrir uma nova área de pesquisa dentro do câmpus de Bauru da USP, contando com a colaboração destes professores. Os palestrantes, que trabalham com engenharia tecidual e medicina regenerativa, já induziram dentes humanos em pesquisas com ratos e estão trabalhando com cartilagem e ossos, na reconstrução de orelha , nariz e laringe sob a supervisão do Dr. Paulo Augusto de Lima Pontes.
A engenharia tecidual é a técnica que usa as células tronco para reconstruir ou construir determinadas partes de órgãos ou do organismo. Com esta técnica é possível se fazer uma orelha usando-se células de cartilagem do próprio paciente, estas são trabalhadas em laboratório, semeadas em arcabouço na forma de orelha para reimplante do novo órgão , sem a possibilidade de rejeição.
O geneticista Miranda, acrescenta que as células tronco são o assunto do momento e motivo de esperança para muitas pessoas que tem problemas genéticos ou que estão numa cadeira de rodas.
Estas células são vistas como alternativa para o futuro da medicina, já que as terapias celulares visam tratar doenças através da substituição de tecidos doentes por células saudáveis. Um exemplo destas terapias são os transplantes de medula óssea para tratar pacientes com leucemia. Neste caso, a medula óssea do doador, que contém células-tronco sanguíneas, quando transplantadas fabricam novas células sanguíneas saudáveis.
O Cintergen da Unifesp é um centro integrado, supradepartamental com vários laboratórios , desenvolvendo terapia gênica e terapia celular.