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Lula dá bronca em Dilma e Palocci

Folhapress
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Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquadrou ontem de manhã em reunião na Granja do Torto os ministros Antônio Palocci (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil), que travam debate econômico. A reprimenda aconteceu depois que Palocci reclamou de críticas de Dilma à política econômica. Ele chegou a dizer que os fatos da crise política poderiam levá-lo a deixar o governo e que Dilma o enfraquecera numa hora em que ele estava frágil e sob fogo cerrado da oposição.

Anteontem e ontem, Palocci avaliou a possibilidade de sair. “Não sei se estou mais ajudando o País (ficando no cargo)”, disse o ministro a Lula. O presidente, porém, afastou essa possibilidade. E falou com Dilma ontem na presença do ministro para que seu recado servisse aos dois. Na hora do pito a Dilma e Palocci, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) participava de uma reunião com Lula. Depois, entraram na sala o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), e o presidente do PT, o deputado federal Ricardo Berzoini (SP).

Desde o início do governo, a Casa Civil tem servido de contraponto à Fazenda. José Dirceu exerceu esse papel nos 30 meses em que ficou no cargo de Dilma. A ministra assumiu que faz “contraponto” a Palocci em conversa com a Folha de S.Paulo na semana passada e bateu duro no ministro em entrevista ao jornal o "Estado de S. Paulo" publicada anteontem.

Na entrevista de anteontem, Dilma classificou de “rudimentar” proposta de ajuste fiscal de longo prazo capitaneada pelo ministro Paulo Bernardo (Planejamento) com o apoio de Palocci. E disse que o País deveria reduzir os juros “para sair do atoleiro”. Afirmou que os juros altos minimizam o efeito da política fiscal (corte de gastos) e “enxuga gelo”, pois não há diminuição significativa da dívida pública. Palocci viu a entrevista como tentativa de desautorizá-lo. E falou diretamente com Dilma anteontem de manhã. Ela recuou e chegou a falar até com Bernardo - que não estava na Granja do Torto ontem cedo. Mercadante disse que o governo deve “tomar cuidado com o debate econômico nesta hora [de crise]”. Segundo ele, “há um setor da oposição que deseja desestabilizar o Palocci”. E afirmou ser “permanente” o debate no país entre “desenvolvimentismo e racionalidade econômica”.

Lula cancelou viagens que faria hoje à Bahia e ao Espírito Santo porque surgiu um desentendimento entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o grupo Suzano, na Bahia.

O MST invadiu área na qual a Suzano tem florestas para fabricar celulose. Lula, que já inaugurou uma fábrica da Suzano na região, visitaria o grupo para ver o local de uma nova planta. Para não melindrar o aliado MST, preferiu aguardar tentativa de acordo entre o movimento e a Suzano. Como iria ao Espírito Santo para um evento da Petrobras, cancelou as duas viagens.

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