São Paulo - Sair de uma cidade com 65 mil habitantes (Bend, no estado americano do Oregon), mas em expansão - 6.º lugar entre as regiões metropolitanas que mais crescem naquele país -, para a pacata Carmo do Paranaíba, de 30 mil moradores, não foi uma boa troca para a estudante norte-americana Mykensie Martin.
Por ser estrangeira, a jovem passou a ser assediada na escola, o que a incomodava. “Quando ela chegou, muita gente comentava. Meninos menores vinham para cima dela”, disse Sara Vinhal, 15 anos, que fala inglês e foi uma das poucas amigas que ela fez no Brasil. Sara Vinhal disse que a norte-americana não falou com ela sobre ir embora, mas reclamava do sossego da cidade e da saudade dos pais. “Geralmente ela passava as tardes em casa.”
O secretário da Saúde de Carmo do Paranaíba, Lineu Cardoso, que hospedou a garota em sua casa, disse que ela sentiu um “choque cultural muito grande” por causa da falta de atrações esportivas e culturais na cidade. “Ela queria ter atividades.”
Para ocupar o tempo da estudante, Cardoso arranjou aulas de violão e um coral para ela cantar. Martin também ensinava inglês para crianças carentes e fazia ginástica. “Ela não demonstrava estar entediada.” Mas a jovem parecia não querer se enturmar na escola, uma das melhores da cidade e onde cursava o 1.º ano do ensino médio, segundo a amiga brasileira. “Ela nunca chegava para conversar com as pessoas.”
Por meio do telefone de uma equipe da TV Bahia, o secretário e anfitrião conversou com a garota. “Falei que ela podia retornar, que as portas estavam abertas.” Após ser orientada por Cardoso a ir à Polícia Federal (PF) em Salvador, ela pediu novamente o telefone e perguntou a ele se precisava mesmo voltar para Minas Gerais.
O futuro da jovem no Brasil ainda estava indefinido ontem. A coordenadora dos intercambistas do Rotary em Minas Gerais, Márcia Della Ceoce, afirmou que irá se encontrar com a estudante e com os pais dela hoje, em Brasília, para resolver a situação com a ajuda do consulado norte-americano.