Bairros

Erosão do córrego ameaça casas

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

A favela do Jardim Andorfato é uma das 20 de Bauru. No bairro, as casas vão se amontoando ao longo da margem do córrego da Grama. Ao lado da ponte que liga o bairro ao Parque Jaraguá, a cratera que engoliu boa parte da rua ameaça os barracos de madeira que estão do outro lado. A paisagem aterrorizadora é a que a moradora Kelli Cristiane Gonçalves Quiló quer deixar para trás. “Eu estava muito empolgada com o projeto. Agora temos que começar tudo de novo” lamenta.

Uma das representantes dos moradores da área de risco, Quiló mora há 10 anos no local. Na casa de tijolos construída sem nenhuma coluna de sustentação, ela vive com a mãe, sua filha de 7 anos, e dois irmãos. O marido cumpre pena na Penitenciária 2.

Ela critica a prefeitura, afirmando que a administração municipal não aparece no bairro. “Se a gente quiser o lugar limpo, nós mesmos temos que carpir, tapar os buracos”, conta. Apontando as rachaduras que fazem a casa tremer a cada trovão em dias de chuva, a cabeleireira Luciana Germano lamenta o sonho adiado da casa própria. “Aqui não temos condições. Fazemos remendos na casa, mas quero oferecer condições melhores para meus filhos”, diz.

Ela tem quatro filhos e o mais novo, de 9 anos, possui deficiência visual. “Como ele vai participar de algum programa da prefeitura se a rua é tão ruim que o carro não consegue pegá-lo?”, questiona. Há sete anos no Jardim Andorfato, Ivaldete Caetano de Lira conta que a cada chuva forte, um pedaço do muro que separa a sua casa do barranco é levado. “Vai caindo igual fatias de bolo”, descreve.

A iniciativa da diretora da Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo (Facesp), Sueli de Lima, de auxiliar os moradores a tentar casas melhores, foi elogiada. “Ela foi a única que lutou por nós”, afirma Quiló.

Longe da área dos casebres, a representante da associação dos moradores do bairro, Benedita Francisca Vasconcelos, reclamava. “Não é só lá não. Aqui nesse bairro, todo mundo é favelado”.

Para ela, ao invés de ajudar primeiro os moradores da margem do rio, a prefeitura deveria atender as necessidades de quem paga os impostos. “Estão falando em aumentar o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Aqui não tem nem asfalto, como vão subir imposto?”, ironiza.

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