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Migrante quer voltar à cidade de origem

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Além de uma muda de roupas e quem sabe algum documento, os migrantes que passam por Bauru carregam esperança. É ela quem sustenta a longa caminhada de cidade em cidade na busca por dias melhores e emprego digno. Regidos pela fé, nenhum deles tem intenção de permanecer no município. Pelo contrário, 77% nutrem o desejo de retornar à cidade de origem.

O percentual, simples de ser confirmado em visita rápida ao Albergue Noturno - entidade administrada pelo Centro Espírita Amor e Caridade, consta em pesquisa realizada pela Faculdade de Serviço Social de Bauru (FSSB) da Instituição Toledo de Ensino (ITE). O estudo, solicitado pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), entrevistou 35 pessoas.

Elas foram abordadas durante um trabalho cujo objetivo era identificar apenas moradores de rua em Bauru. Por apresentarem perfil diferenciado, contemplaram trabalho à parte, explica Maria Inês Fontana, coordenadora do Núcleo de Apoio à Pesquisa da FSSB.

De acordo com ela, assim como moradores de rua, os migrantes são estereotipados como mendigos, vagabundos, arruaceiros, fracassados, marginais, aproveitadores e ignorantes.

“Ele não consegue acumular experiência específica de trabalho, pela rotatividade de funções que desempenha. Não tem condição de competir. Sente-se derrotado e desmoralizado por ser recusado. E por não fazer parte de determinado padrão social, não é respeitado como pessoa. É tratado por muitos como “bicho”, para quem ele deteriora a imagem da cidade e da sociedade”, explica.

No entanto, se encontrasse emprego digno, metade abandonaria a vida pelas estradas e adiaria a pretensão de deixar o município. A informação foi confirmada pela assistente social do Albergue Noturno, Nilza Oshiro. Segundo ela, a maioria das pessoas atendidas está em busca de trabalho. Quando encontra, a família se estabelece em Bauru.

“Se você consegue (colocação profissional para alguém), no dia seguinte mais cinco aparecem porque já souberam. Sem trabalho, eles perdem até o vínculo familiar. Na busca (por dias melhores), migram. É uma bola de neve”, conta. Por mês, a entidade na qual trabalha cede entre 200 e 300 passagens, custeadas por meio de recursos repassados pela Sebes, via Fundo Municipal de Assistência Social.

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Em Bauru

Os migrantes de Bauru são acolhidos pelo Albergue Noturno, que oferece atendimento semelhante ao de Marília. No local, as pessoas que permanecem por mais tempo na cidade - até resolver alguma situação específica - podem usufruir de atividades de artesanato e lazer oferecidas pela Casa de Conveniência, também mantida pelo Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac).

A entidade é a protagonista da política de atendimento ao migrante implementada em Bauru, confirma a titular da Sebes, Elgi Muniz. “Neste ano, participamos de reuniões com outras cidades para propor à Secretaria Estadual uma política específica, porque a questão extrapola o âmbito do município. Senão, apenas joga-se o problema para frente sem resolver nada. O projeto já está sendo entregue (ao governo do Estado)”, conclui.

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