Apesar do Albergue Noturno apontar as Capitais - especialmente São Paulo - como destino mais concorrido entre os migrantes atendidos em Bauru, pesquisa realizada pela Faculdade de Serviço Social da ITE indica Marília como o rumo preferencial. Somente no último feriado, 11 pessoas fizeram o trajeto. Mas nem chegaram a pernoitar na cidade.
Logo embarcaram para Presidente Prudente, explica a titular da Secretaria do Bem-Estar Social de Marília, Anadir Hila. Embasada no contexto geral, ela defende que cada cidade do Estado implemente uma política própria para atender essa população. “Eu tenho obrigação de cuidar deles aqui. Ele precisam de uma oportunidade. Motivados pelo desenvolvimento da cidade, chegam sem qualificação. Ficam nas ruas, nas praças, embaixo da ponte e a população (da cidade) reclama”, comenta.
Para reverter a situação, nesta semana Marília inaugurará o Centro de Referência do Migrante e Morador de Rua. A instituição nem abriu as portas e já tem 60 homens cadastrados. “Vamos atender só a população do sexo masculino porque é grande maioria. Eles poderão ficar entre sete e nove meses. São 12,5 alqueires de terra. Vão trabalhar na lavoura de café, com a criação de animais de pequeno porte e na horta”, informa a secretária.
Paralelamente, os atendidos receberão respaldo psicológico, serão acompanhados por assistente social e educador. Também terão acesso à sala de artesanato e a cursos de capacitação profissional (de elétrica e construção civil, além de alfabetização). “Pretendemos inseri-los de volta à comunidade. Eles estão na rua por falta de emprego”, reitera.
Até agora, a população de migrantes atendida em Marília – que triplicou nos últimos oito anos – é acolhida pelo Albergue Noturno São José, onde pode permanecer entre dois e três dias. Na instituição, que oferece jantar, eles podem fazer a higienização e pernoitar. Durante o dia, almoçam em outra entidade, também conveniada com a administração municipal.