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Jurandyr elege 8ª Maravilha do Mundo

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

O arquiteto bauruense Jurandyr Bueno Filho foi um dos cinco representantes brasileiros na 15ª Assembléia Geral do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), realizada na cidade chinesa de Xi’an em outubro último. Participaram do evento 560 membros do Icomos, que elegeram por unanimidade o monumento “Guerreiros de Xi’an” como a oitava Maravilha do Mundo Antigo. Na primeira colocação estão as pirâmides do Egito.

A construção das estátuas de Terracota foi uma encomenda do primeiro imperador chinês Qin Shi Huangdi, que unificou a China em 221 antes de Cristo. Jurandyr explica que o imperador mandou construir o exército para servir de companhia, como mandava a tradição, em seu túmulo, ao invés de seres humanos, animais e objetos pessoais.

Em 2003, a mostra “Guerreiros de Xi’an e os Tesouros da Cidade Proibida” apresentou ao público brasileiro o patrimônio com 13 peças especialmente escolhidas para uma exposição internacional. O arquiteto relembra que em sua primeira visita à China, há mais de três anos, Maria Lúcia Verdi, adida cultural da Embaixada do Brasil em Pequim, solicitou que ele sugerisse algumas das sete mil peças para serem expostas posteriormente no pavilhão da Oca, no parque do Ibirapuera, e que foi visitada por cerca de 817 mil pessoas durante 109 dias.

Ele explica que tem atração pelo exótico e pelo distante, o que facilitou a conquista de amigos na China e na Índia. “As culturas são totalmente diferentes. Mas tem uma coisa que o ser humano é igual. Ninguém resiste a um sorriso, a um aperto de mão, a um abraço e o brincar com o outro. Esse é meu cartão de visita. Nós estávamos em Xi’an e ajudamos a escolher os guerreiros”, relata.

Jurandyr ressalta que a China pleiteava junto à Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), à qual o Icomos é ligado, que “Guerreiros de Xi’an” fosse elevada à condição de oitava Maravilha do Mundo Antigo. Segundo o arquiteto, a China pensou também no impacto do reconhecimento dos guerreiros de Terracota para sua indústria do turismo e com a chancela de 560 membros do Icomos, que são formadores de opinião no mundo inteiro.

“Eles tinham razão, porque é a oitava Maravilha e foi aprovada. Nós (cinco brasileiros) votamos em bloco e foi unanimidade mundial. Já pensou o significado do ponto de vista do turismo para a China, que é uma potência?”, reflete.

Jurandyr conta que a viagem começou no início de outubro com uma escala de dez dias na Califórnia, Estados Unidos. Segundo o arquiteto, sua impressão do que viu em Nova Orleans foi bastante negativa. O lugar havia sido castigado pela passagem do furacão Katrina no final de agosto, mas o impacto da tragédia foi percebido nos meses seguintes. “Estivemos em Los Angeles. Em Nova Orleans as pessoas estavam pedindo dinheiro na rua. Tínhamos medo de assalto e estava um terror. E fomos percebendo a decadência do mundo ocidental”, observa.

Ao desembarcar em solo chinês, o contraste foi gritante. Ele fez uma escala na cidade de Xangai, onde permaneceu por uma semana e acompanhou o Grande Prêmio de Fórmula 1. Lá, o arquiteto bauruense ficou surpreso com o Xangai Word Financial Center, projetado para ser entregue em 2007, com altura de 486 metros. “Para você subir até a torre do prédio, percorre um quilômetro de elevador. Tem um buraco (no alto) de 70 metros de diâmetro no qual um avião pequeno irá passar no meio, na rota do aeroporto de Xangai, para dizer aos norte-americanos que eles fazem prédios que não são derrubados por aviões”, comenta.

Porém, ao chegar em Xi’an, Jurandyr percebeu que a cidade era completamente outra em relação à visita de três anos e meio atrás. “Ela estava com um aeroporto novo e maravilhoso. É um show o sistema viário do aeroporto para a cidade e todo iluminado com neón.”

Selo chinês

Segundo o arquiteto, sua demonstração de que não era a primeira visita ao lugar chamou a atenção dos chineses, que o convidaram para uma entrevista a uma emissora de televisão. Dessa aproximação até Jurandyr Bueno virar selo para postagem de cartas, bastou uma entrevista. “Sem entender o tamanho da indústria de comunicação da China, pensei que fosse para uma pequena emissora local. Às 4 horas da tarde, tinham 82 redes de TV. Mais ou menos sem ser oficial, eu fiquei um símbolo dos participantes do congresso. O jornalista tirou uma foto e, à noite, eu estava no selo comemorativo ao congresso, como uma homenagem da China ao importante evento. Como é que eu vou contar para os outros que virei selo na China?”, questiona. Segundo ele, a reportagem com a foto foi estampada nos jornais no dia seguinte.

Sem titubear, o arquiteto bauruense envelopou alguns exemplares e encaminhou para amigos e parentes no Brasil. Entre os que receberam o selo estampando a foto de Jurandyr estava seu primo Osires Silva - ex-ministro da Infra-estrutura e ex-presidente da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer).

A última escala de Jurandyr foi em Pequim, onde arquitetos locais mostraram algumas obras em construção para a Olimpíada de 2008, que será organizada pela cidade chinesa. Ele destaca que o estádio olímpico e o conjunto aquático impressionam. “Para eles é segredo de estado. Vi e disse que era impossível o que eles estavam fazendo”, diz.

Ele relembra que o novo momento vivido pela civilização chinesa é muito recente. “O desenvolvimento na China é algo brutal, enquanto o nosso é muito lento.” Ao elogiar o avanço chinês, ele argumenta que serão investidos US$ 39 bilhões para ampliar as linhas de metrô em 132 quilômetros, só em melhoria do transporte público em Pequim, visando as Olimpíadas.

Jurandyr adianta que está negociando a construção de um estádio e escola de futebol em Dubai, nos Emirados Árabes. “Estamos nas conversas preliminares para eu ser o autor de um projeto de escola de futebol e será uma homenagem a Péle. Com a marca brasileira”, projeta.

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