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Marcha espera reunir 20 mil em Brasília

Folhapress
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São Paulo - Brasília receberá na quinta-feira cerca de 20 mil militantes do movimento negro, que participarão da Marcha Zumbi +10 contra o Racismo, pela Cidadania e pela Vida. A mobilização, que marca os 310 anos do assassinato de Zumbi, líder do movimento negro do Quilombo dos Palmares, em Pernambuco, durante a escravatura, reivindica avanços nas políticas de superação da desigualdade racial.

“Por que uma população vai à rua clamar pelo direito à vida? Em função da extrema violência a que está submetida essa população. Por exemplo, entre 12 e 19 anos, são 14 mil homicídios por ano no Brasil, por dados da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura). A maioria são jovens negros”, disse o representante da coordenação do evento e editor do jornal Ìrohìn, Edson Cardoso.

Segundo Cardoso, a reivindicação principal da marcha é que o governo reconheça, em todas as suas iniciativas, a necessidade de adotar ações de reparação das injustiças históricas cometidas contra a população negra. O movimento apóia suas reivindicações nas estatísticas conhecidas há anos sobre a desigualdade entre brancos e negros. São diferenças de renda, acesso ao mercado de trabalho, educação, saúde, saneamento.

Para ter uma idéia, o mais recente Atlas Racial Brasileiro, elaborado pelo Programa das Nações Unidades para o Desenvolvimento (PNUD) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), revelou que 65% dos pobres e 70% das pessoas que viviam na indigência no país em 2004 eram negros. Os participantes da marcha também vão pedir a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, projeto de lei que está em tramitação no Congresso Nacional.

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