No final dos anos 50, início dos 60, Análio Gilberto Smith era um inveterado praticante de esportes em nossa cidade. Dizem os mais antigos que era um bom jogador de basquetebol e que defendia a nossa cidade em competições por todo o Estado. Certa vez, estava em Birigui disputando os Jogos Noroestinos, sendo que depois de um lauto almoço, tendo como mistura ovo frito e repolho refogado, foi convocado às pressas para disputar uma partida de xadrez representando nossa cidade. O enxadrista titular havia faltado, nossa cidade não podia perder por WO e lembraram que um passatempo de Análio era o xadrez (jogo). Diz o amigo Hélio Vanini, completando a história, que o atleta entrou no local onde era disputada a competição calçando chuteiras, fazendo um barulho danado.
A partida era contra Araçatuba, representada por um sizudo capitão do Exército e, ao sentar-se para a partida, o atleta bauruense logo sentiu os efeitos do almoço com os gazes buscando sair de seu corpo. Análio disfarçava e deixava-os sair à vontade, silenciosamente. O que não conseguia evitar era o mau cheiro.
Após o terceiro, quarto, seu adversário, não agüentando mais, chamou o juiz da competição:
- Deste jeito não dá para se concentrar e jogar...
- Por que?
- Esse moço tá podre... Fica soltando umas “bufas”... Parece até que anda comendo moela de urubu...
Análio fechou a cara e, sério:
- Eu?
- Lógico que é o senhor!
- O senhor está colocando em dúvida a minha educação...
- Não! Estou reclamando do mau cheiro produzido pelo senhor...
Nosso atleta, aproveitando a discussão, soltou mais uma meia dúzia de “bufas” bem caprichados e o capitão foi à loucura:
- Não fui avisado que iria jogar xadrez no chiqueiro! Passem bem!
E abandonou a partida, dando a vitória ao nosso atleta, que a festejou com meia dúzia de ovos cozidos, para desespero do alojamento bauruense...
Contada por Antonio Pedroso Júnior