Após seis semanas escavando ruínas na cidade portuária de Tel Dor, em Israel, o arqueólogo bauruense Jorge Luiz Fabbro da Silva - único latino-americano em uma equipe de mais de 200 pessoas que trabalha no local - retorna a sua cidade natal em busca de voluntários para auxiliar no trabalho na Terra Santa. Desenvolvidas em consórcio entre a Universidade Hebraica de Jerusalém, Universidade de Haifa, Universidade da Califórnia e Universidade de Washington, as escavações arqueológicas na região são realizadas todos os anos, durante um período de cerca de seis semanas do verão palestino.
Silva explica que o objetivo das escavações é reconstituir a história da antigüidade com base nos restos materiais das civilizações antigas. “É possível encontrar palácios, templos, casas, sepulturas, artefatos diversos de uso doméstico e uso bélico”, conta. Ele explica que qualquer pessoa pode ser voluntária em projetos de escavações a sítios arqueológicos – não é exigida formação na área de arqueologia nem conhecimentos de idiomas - , mas é preciso ter dinheiro para arcar com as despesas de viagem e estadia.
Silva conta que a equipe que atualmente trabalha nas escavações é formada por profissionais de várias áreas. “Temos especialistas em ossos, em polem, em dentes, em cerâmica, em línguas antigas, arquitetos, fotógrafos e engenheiros. Todos podem colaborar”, frisa.
Além da oportunidade de participar de escavações em terras sagradas, o arqueólogo ressalta que o voluntário terá oportunidade de conhecer pessoas de países distantes, ter contato com remanescentes de civilizações antigas, aprender novas línguas, fazer contatos e conhecer a história da humanidade de perto. “Como é um serviço voluntário, cada pessoa arca com seus gastos, mas as vantagens são inúmeras”, conta Silva.
As escavações arqueológicas podem ser divididas basicamente em duas etapas: a estratigrafia e a tipologia. A primeira determina e monitora as técnicas empregadas na escavação enquanto a segunda analisa as formas e materiais encontrados para classificar a qual momento histórico pertencem.
Segundo Silva, Tel Dor - assim como toda a Palestina - tem sítios arqueológicos muito ricos. “As cidades palestinas têm a peculiaridade de que eram construídas umas sobre as outras porque há poucos locais com fonte de água e segurança estratégica. Quando uma civilização tomava a outra, derrubava-se o que havia e outra cidade era construída neste local”, comenta.
O pesquisador explica ainda que a Igreja Católica foi uma das pioneiras no patrocínio a escavações arqueológicas. “O cristianismo tem fundamento histórico. Se você retira a história, a religião perde o sentido. Esse movimentos religiosos inicialmente patrocinaram escavações arqueológicas com o objetivo de criar contexto histórico que desse subsídios para suas crenças”.
Desde o início das escavações arqueológicas no Oriente Médio, a Bíblia cristã é uma referência para a localização de sítios históricos. Além disto, segundo Silva, nenhum evento narrado no livro sagrado foi contradito pela arqueologia. “Tudo o que arqueologia tem descoberto até hoje, e são milhares e milhares de achados, comprova ou dá credibilidade aos relatos históricos da Bíblia”, diz.
O bauruense, que fez mestrado em arqueologia Sírio-Palestina na Andrews Universty (Estados Unidos) e atualmente está no doutorado em licenciatura hebraica na PUC do Rio de Janeiro e é coordenador do curso de pós-graduação em arqueologia do Oriente Médio da Universidade de Santo Amaro (São Paulo), vai falar mais sobre sua atividade em um seminário em Bauru no próximo dia 26.
O evento, denominado “Seminário de Arqueologia Bíblica”, será na Igreja Adventista do Sétimo Dia Green Ville, localizada na avenida José Henrique Ferraz, 3-15, Jardim Terra Branca. Silva explica que a entrada é gratuita, mas é preciso fazer inscrição com antecedência. Serão oferecidas 300 vagas.
• Serviço
As inscrições para o “Seminário de Arqueologia Bíblica”, no dia 26, das 16h às 19h, na avenida José Henrique Ferraz, 3-15, Jardim Terra Branca, devem ser feitas pelo telefone (14) 3223-4454 e 3203-3478. Já os interessados em tornar-se voluntários nas escavações devem enviar e-mail para arqueologiaoma @hotmail.com
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História
As primeiras referências históricas a Tel Dor aparecem em inscrições do antigo Egito. Durante todo o período bíblico, o porto de Dor atraiu muitos comerciantes e conquistadores. Originalmente uma cidade cananita, Dor foi conquistada pelo rei Davi e tornou-se uma das 12 capitais distritais do rei Salomão e seu principal porto no mar Mediterrâneo.
No ano 732 antes de Cristo, Dor rendeu-se ao rei assírio Pileser III e foi feita capital da província costeira assíria de Duru. Dor prosperou sob o domínio persa. No período helênico, Dora, como era então chamada, tornou-se uma fortaleza bélica. Sob o domínio romano, Dor expandiu seus territórios e se tornou uma das cidades mais importantes da região.