Começa hoje e vai até sábado a Semana da Consciência Negra de Bauru. Com o objetivo de debater o papel e a condição do negro na sociedade moderna, o evento também divulgará a conquista do SOS Racismo no Estado de São Paulo - serviço telefônico pelo qual é possível fazer denúncias de racismo de todas as naturezas.
Após 11 anos de discussão e algumas alterações, o projeto de autoria do deputado Jamil Murad (PC do B) foi aprovado em setembro pela Assembléia Legislativa de São Paulo e implementado há cerca de um mês. De acordo com o presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Bauru, Roque Ferreira, qualquer pessoa que se sinta vítima de preconceito pode denunciar. “Independente de cor, raça ou sexo, toda pessoa que se sinta ofendida pode ligar e fazer uma ocorrência”.
Financiado pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, o SOS Racismo conta com toda a infra-estrutura e profissionais necessários para atender os casos de racismo. “Há inclusive advogados especializados para atender quem não tem condições financeiras de pagar um advogado particular”, ressalta Ferreira.
Além da divulgação do SOS Racismo, a Semana da Consciência Negra terá início com uma abertura solene, quando o membro do Comitê Nacional do Tribunal África, José Carlos Miranda, exporá a situação do negro no Haiti e fará a relação com os negros brasileiros. Ainda dentro da programação, amanhã será exibido o filme “Os Panteras Negras”, em parceria com o Cineclube Aldire Pereira Guedes.
Após a sessão, haverá um debate sobre o filme, que trata da formação de grupos anti-racismo nos Estados Unidos e a propagação das drogas como forma de desarticular a juventude revolucionária.
Na sexta-feira, em sessão solene, será entregue o prêmio “Zumbi dos Palmares” para bauruenses empenhados na luta pela comunidade negra. No sábado de manhã, uma plenária escolherá os novos membros do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Bauru. À noite será realizada a solenidade de outorga do prêmio “Luiza Mahin” a pessoas e empresas homenageadas pela Comunidade Negra de Bauru por sua contribuição para o fim do racismo.
• Serviço
O SOS Racismo atende pelo telefone 0800-7733886, todos os dias das 9h às 20h. Interessados em votar e se candidatar para o Conselho Municipal da Comunidade Negra de Bauru devem fazer suas inscrições até sábado, às 10h, na Casa dos Conselhos Municipais, que fica na rua Manoel Bento Cruz, 7-60.
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Zumbi dos Palmares
Zumbi foi o líder máximo do Quilombo de Palmares - pequena cidade que figurou como centro da resistência abolicionista - e símbolo da resistência negra. Estima-se que o Quilombo dos Palmares chegou a ser habitado por cerca de 30 mil pessoas no período entre 1620 e 1695, ano em que Zumbi foi assassinado.
A data da morte do líder foi escolhida como o Dia Nacional da Consciência Negra - 20 de novembro.
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Luiza Mahin
Pertencente à etnia jeje, alguns afirmam que Luiza Mahin foi transportada para o Brasil como escrava. Outros se referem a ela como sendo natural da Bahia e tendo nascido livre por volta de 1812. Em 1830 deu à luz um filho, Luis Gama, que mais tarde se tornaria poeta e abolicionista.
Sua casa tornou-se quartel general das principais revoltas negras que ocorreram em Salvador em meados do século 19, dentre elas a chamada Grande Insurreição, de 1835.
Mahin conseguiu escapar da violenta repressão desencadeada pelo Governo da Província e partiu para o Rio de Janeiro, onde também participou de diversas rebeliões contra a opressão aos negros.