Ribeirão Preto - Depois de não conseguir auxílio financeiro para trazer do Japão o corpo do filho Gustavo Saho, 19 anos, a família Saho, que mora em Guatapará, na região de Ribeirão Preto, decidiu cremar o corpo - a cerimônia está marcada para acontecer na madrugada de hoje (1h no horário de Brasília e 12h no Japão).
Gustavo é um dos sete brasileiros mortos em acidente de trânsito no Japão no domingo. Ele estava no país havia cinco meses e, segundo a família, sempre quis ser um decasségui (descendente que vai trabalhar no Japão).
“A cremação não era o que a gente queria, mas não tem jeito. Liguei anteontem para o Itamaraty e informaram que financeiramente eles não podem ajudar. O que eu quero agora é terminar isso o mais rápido possível, mas, pelo visto, deve demorar mais pelo menos 20 dias para as cinzas chegarem a Guatapará. Enquanto não enterrar, vai continuar essa situação desgastante”, afirmou o pai de Gustavo, o mecânico Kaoro Saho, 60 anos.
O Itamaraty informou que o Consulado do Brasil no Japão está tomando todas as providências para auxiliar as famílias, mas que não existe dotação orçamentária para o pagamento do traslado de brasileiros mortos no Exterior em hipótese nenhuma. Segundo o Itamaraty, a medida é uma determinação para que não ocorra discriminação com quem morre dentro do país e que a família também não tem recursos para o traslado do corpo.
Segundo Oleandro Aparecido Saho, 28 anos, irmão de Gustavo que mora no Japão há cinco anos e está cuidando do funeral, todos os custos do velório e da cremação estão sendo pagos pela empresa de autopeças onde os dois trabalhavam. O custo do transporte para o Brasil deve ser arcado pela família Saho. Assim como Gustavo, os outros seis brasileiros mortos no acidente devem ser cremados no Japão.