A relação do homem com a natureza ao longo da história é marcada pela utilização indiscriminada e predatória de seus recursos. Esta relação se intensificou após a revolução industrial no século XVIII devido à produção em grande escala, alimentada pelo consumo desenfreado de produtos pela sociedade.
Neste período as ações antrópicas, principalmente as relacionadas com a queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural), intensificaram o processo natural de aquecimento do Planeta Terra denominado “efeito estufa”. A queima de combustíveis fósseis pelas indústrias e veículos em circulação despeja na atmosfera grandes quantidades de gases do efeito estufa (GEE), principalmente o gás carbônico (CO2).
Em 1997, diante do preocupante panorama mundial, foi elaborado o tratado internacional denominado Protocolo de Kyoto, onde os principais países poluidores do mundo se comprometeram a reduzir suas emissões de GEE em pelo menos 5% dos índices de 1990, no período de 2008-2012.
O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL, foi desenvolvido a partir de uma proposta da delegação brasileira que previa a formação de um Fundo de Desenvolvimento Limpo, constituído por recursos financeiros dos grandes países poluidores no caso destes não atingirem as metas de redução, adotando o princípio do poluidor-pagador. A idéia consiste em que cada tonelada de CO2 ou carbono deixada de ser emitida, ou retirada da atmosfera por um país em desenvolvimento, poderá ser negociada no mercado mundial, criando um novo atrativo para as reduções das emissões globais dos GEE.
O MDL permite que países como o Brasil possam realizar projetos de desenvolvimento limpo, a partir de recursos próprios ou de financiamentos dos países poluidores, para que lhes sejam conferidos certificados de emissão reduzida (CER). Os CER’s funcionam como “créditos de carbono” que depois poderão ser negociados com os países industrializados.
O setor florestal brasileiro oferece oportunidades inigualáveis de compensação de carbono através do MDL, pois o Brasil tem tanto a maior área remanescente de florestas tropicais do mundo como a maior emissão corrente por taxa anual de desmatamentos destas florestas. Estes fatos significam que qualquer medida que resulte em redução da taxa de desmatamento no Brasil evitaria a emissão dos GEE e manteria estoques de carbono.
Além disto, possuímos uma enorme vantagem em relação aos países do Norte, em função da extensão territorial e condições de clima e solo o que nos permite investir em plantações florestais de rápido crescimento, que contribuem decisivamente para reduzir os impactos ambientais do efeito estufa e das suas implicações nas mudanças climáticas.
Estima-se que o mercado de “créditos de carbono” poderá movimentar até 2012 cerca de US$ 30 bilhões e se a tendência de investimentos continuar, pode-se esperar um enorme fluxo de novo capital para o setor florestal. Isto também terá reflexos positivos no que diz respeito aos objetivos de promover a sustentabilidade e a conservação da biodiversidade.
É importante, entretanto, que novas alternativas sejam estudadas e que um planejamento global seja realizado, prevendo as mudanças que deverão ocorrer nas próximas décadas.
O autor, Carlos Roberto Sette Jr., é engenheiro florestal, mestrando em recursos florestais pela Esalq-USP - e-mail: crsettejr@hotmail.com