Passar pela avaliação médica de um especialista em Bauru é, no mínimo, um exercício de perseverança. Figuram na lista de espera 21 mil nomes. O número, no entanto, será apurado pela Secretaria Municipal de Saúde, para quem o total deve estar superestimado. Realizar novo levantamento está entre os compromissos assumidos pela administração municipal em reunião organizada ontem pelo Ministério Público Estadual (MPE).
Alarmado com a morosidade no atendimento prestado aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), o promotor de Justiça, Cidadania e Defesa do Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, convocou representantes da administração municipal, da Direção Regional de Saúde (DIR-10), do Hospital Estadual (HE) de Bauru e da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) para discutir o assunto.
Também estiveram presentes na reunião representantes do Conselho Municipal de Saúde, entidade que levou o impasse ao MPE. O encontro ainda contou com a participação de Osvaldir Martins, o Ticão, que há seis meses aguarda o agendamento de um exame de cardiologia para o filho de 12 anos. Por várias vezes, ele dormiu ao relento em busca de uma senha para ser atendido na unidade básica de saúde.
“Falta respeito. Todo mundo aqui tem plano particular de saúde. Seria melhor se colocassem uma urna eletrônica no lugar dos médicos. Eles atendem em cinco minutos e encaminham a gente para outro. Não resolvem nada”, diz.
Pressa
O problema foi admitido pela titular da Secretaria Municipal de Saúde Tereza Feifer, para quem a resolutividade é uma das questões a ser equacionada. Enquanto isso, é possível que continuem sendo encaminhados para especialistas casos que poderiam ser solucionados nos postos de saúde. A pressa no atendimento realizado na unidade básica justificaria a situação. Usuários reclamam que alguns clínicos não cumprem a jornada de trabalho.
Atenderiam apenas 16 pacientes e cumpririam o expediente em 40 minutos. A postura favoreceria o aumento da fila, especialmente nas especialidades de otorrinolaringologia, ortopedia e oftalmologia. “Mesmo assim, a demanda pode estar superestimada porque tem gente que vai em vários postos. Alguns casos já foram atendidos e outros se resolveram”, reitera Faifer, ao explicar que a lista com 21 mil nomes tem mais de um ano.
Ela espera instituir uma comissão para estudar a demanda real. O novo número não deve estar fechado até o dia 25 deste mês, quando outra reunião será realizada para avaliar a questão. “Vamos criar alternativas, fazer parcerias. Mas a reorganização do sistema é complicada e não se resolve em pouco tempo”, afirma a secretária.
Ainda assim, a necessidade de investimento na rede básica de saúde foi mais uma vez reiterada pelo diretor da Direção Regional de Saúde (DIR –10), Affonso Viviani Júnior. Durante reunião, ele ressaltou que, apesar da fila, os atendimentos prestados por especialistas via SUS superam os parâmetros definidos por portaria do Ministério da Saúde.