Cerca de 20 índios das tribos terena e guarani, das aldeias de Avaí (39 quilômetros de Bauru), interditaram, no fim da tarde de ontem, a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Bauru, em protesto à nomeação de um administrador substituto que não foi indicado pelas comunidades indígenas.
Em carta endereçada ao presidente da Funai, Mercio Pereiro Gomes, as lideranças indígenas do Centro-Oeste paulista comunicam que a ocupação é por tempo indeterminado.
No documento, os índios reclamam da nomeação do servidor Newton Bueno Machado para o cargo de administrador regional substituto da Funai de Bauru.
Eles relatam que no último dia 9 de novembro, o então administrador substituto, Emilio Pereira Barbosa Neto, pediu exoneração do cargo e solicitou à Funai a nomeação do servidor indígena Mário de Camilo para o seu lugar. Camilo exerce atualmente a função de chefe de serviço de patrimônio indígena e meio ambiente.
O servidor deveria responder interinamente pelo cargo de administrador regional até que a Funai, em Brasília, nomeasse o administrador titular, em conjunto com as lideranças indígenas, conforme havia sido combinado.
A nomeação do servidor Newton Machado irritou parte da comunidade, que classificou a atitude da direção nacional da Funai como “racial, preconceituosa e antiindígena”. “Mais uma vez, a cor da pele falou mais alto”, diz a carta.
Em protesto, as lideranças afirmam que estão dispostas a recorrer a todos os meios e instâncias hierárquicas possíveis para terem suas reivindicações atendidas. Os índios garantem que permanecerão na sede da Funai, em Bauru, até que a nomeação do novo administrador seja efetivada e o presidente da Funai explique a “agressão racial” à qual eles teriam sido alvos.
O escritório em Bauru está sem administrador regional desde julho deste ano, quando Amauri Vieira pediu exoneração do cargo. Ele deixou a administração depois de dois anos no cargo. A pressão de uma parte dos caciques e lideranças indígenas das aldeias do Centro-Oeste paulista foi a principal responsável pela sua renúncia.
Em quatro anos, foi a segunda vez que um administrador sai do cargo por pressão de uma parte dos índios de Avaí e de outras aldeias espalhadas pelo Estado. Em 2001, o então administrador Rômulo Siqueira de Sá também saiu após forte pressão das comunidades indígenas.