Regional

Estudo expõe carência social de Marília

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Marília - Um estudo apresentado ontem na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Marília (100 quilômetros de Bauru), expôs algumas carências sociais da cidade. Embora possua um parque industrial desenvolvido e uma arrecadação de impostos quase igual à de Bauru, apesar de ser uma cidade menor, Marília é pobre do ponto de vista da inclusão social, segundo aponta o estudo.

O trabalho foi realizado e exposto pelo professor Edemir de Carvalho, do Departamento de Sociologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), do câmpus de Marília.

Para dar forma ao seu “Mapa da Exclusão”, o professor pesquisou 17 favelas da cidade e descobriu, entre outras peculiaridades, que muitas pessoas, nessas comunidades, vivem com menos de R$ 1,00 por dia.

De acordo com o estudo, cerca de 8 mil pessoas vivem nessas favelas. A construção de 2 mil moradias, no máximo, resolveria o problema e a cidade passaria a não ter mais favelas, segundo o professor.

O estudo aponta ainda que a região mais pobre da cidade está concentrada nas zonas norte e sul. Durante a pesquisa foram analisados aspectos como a renda mensal do morador, nível de escolaridade, saneamento básico e coleta de lixo.

A advogada Kathya Cibelle Abreu de Sousa, uma das idealizadoras do evento, pensa em usar os dados do estudo para compor o plano diretor do município. Kathya faz parte da equipe que está elaborando o plano diretor, que vai estabelecer as prioridades de Marília para os próximos anos.

Ela conta que assistiu a uma palestra do professor Carvalho no começo deste ano e gostou do estudo. Na ocasião, o trabalho foi exposto para um pequeno grupo de pessoas. Com o evento de ontem, a idéia foi abrir o debate para uma parcela maior da população.

“Eu acho importante que o maior número de pessoas conheçam esse trabalho. De preferência, pessoas que tenham condições de ajudar na solução dos problemas que ele (sociólogo) levantou”, explica Kathya.

A advogada lembra que quando assistiu à palestra, no começo do ano, mesmo sendo leiga em antropologia e sociologia, diz ter entendido perfeitamente o que o estudo estava mostrando.

Segundo ela, a iniciativa de expor o trabalho gratuitamente a toda a comunidade serviu também para tornar público o problema da cidade com as favelas. “Agora, ninguém vai poder dizer que não está ciente de quais são os problemas (da cidade)”, destaca.

Na avaliação de Kathya, a palestra é didática, mostra onde estão as falhas, qual sua natureza e como resolvê-las.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marília tem atualmente cerca de 220 mil habitantes e um Orçamento para este ano em torno de R$ 150 milhões. Bauru, com 130 mil habitantes a mais, tem uma arrecadação discretamente superior - R$ 186 milhões.

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Desfavelamento

O levantamento sobre a real situação das favelas de Marília também está sendo feito pelo grupo que está elaborando o plano diretor da cidade. Segundo um de seus integrantes, Laerte Rojo, até o dia 7 de dezembro será entregue à prefeitura uma radiografia da situação atual das favelas da cidade.

A partir daí, estuda-se a possibilidade de remanejamento dos moradores para conjuntos especialmente construídos para atender o projeto de desfavelamento. Segundo Rojo, se não houver área disponível, será sugerida à prefeitura uma reurbanização da favela. Ou seja, a idéia é dotar o local com toda a infra-estrutura necessária para descaracterizá-lo como favela e transformá-lo em uma área urbana com moradias dignas.

Rojo adianta que será proposta ainda a criação de um setor dentro da administração pública municipal direcionado especialmente para tratar da questão das favelas. “É importante evitar que novos focos apareçam. Não adianta nada acabar com as favelas que já existem e não tomar nenhuma medida para evitar o surgimento de outras”, alega Rojo, que é diretor do Escritório de Planejamento (Eplan) da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Habitacional (Emdurb) de Marília.

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