Nacional

Lula faz elogio à política econômica

Por Eduardo Scolese e Pedro Dias Leite | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - No único discurso público que fez horas antes do depoimento do Ministro Antônio Palocci (Fazenda) no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não fez uma defesa enfática do ministro nem chegou a citá-lo, mas elogiou a política econômica e deu vários recados aos presentes ao dizer que era preciso compreender “corretamente” o momento político para o Brasil não jogar fora as oportunidades conquistadas.

Ao falar sobre os avanços econômicos, Lula fez sugestões aos cerca de 500 presentes na abertura da 3ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em Brasília. Num tom de tudo ou nada, pediu a eles que tomem cuidado e prestem atenção naquilo que é veiculado pela imprensa, para que possam compreender “corretamente” o atual momento político e não jogar fora a atual oportunidade. “Eu quero dizer para vocês prestarem atenção no momento político que o Brasil está vivendo. Leiam com muito cuidado todos os jornais, assistam com muito cuidado todos os programas, porque eu acho que precisamos refletir sobre o que está acontecendo no Brasil (...) E, se não houver compreensão do que está acontecendo no Brasil, neste momento, poderemos permitir que o Brasil jogue fora essa oportunidade”, afirmou.

Um discurso mais incisivo de Lula a favor de Palocci era aguardado tanto pelo mercado como pelo próprio ministro da Fazenda. O presidente chegou a confidenciar com assessores que defenderia publicamente Palocci, alvo de acusações de corrupção oriundas de ex-auxiliares e de pressões internas contra a condução do atual modelo econômico do governo federal. Com um visual cansado, voz baixa e olhar distante, Lula repetiu dados que considera positivos da área econômica, como o controle da inflação e aumento das exportações, e disse que não há “momento da história do País com uma combinação de fatores tão positivos”.

O presidente, que em outras oportunidades chegou a dizer que ele e Palocci eram “unha e carne”, por exemplo, ontem adotou uma linha moderada em relação à política econômica do governo. “Eu digo todo dia que não há momento da história do Brasil - e tenho analisado desde o governo Juscelino (Kubitschek, 56-61) - em que tenhamos tido uma combinação de fatores tão positivos neste país (...) Vai depender da sociedade brasileira saber definir corretamente o que nós queremos.”

No discurso, ora lido ora improvisado, houve espaço para pitadas sobre eleições e cobranças ao governo. Lula disse que as pressões às vezes “incomodam”, mas que a sociedade “não é obrigada a se contentar com as coisas que o governo acha que já fez”. E, na mesma linha, afirmou que consegue esconder sua irritação com as cobranças. “Não se incomodem que eu não sou daqueles que ficam irritados com cobrança porque na minha vida inteira eu cobrei, portanto, eu posso até não gostar, mas jamais demonstrarei que não estou gostando.”

Sobre a disputa eleitoral do ano que vem, primeiro disse que “tem gente com muita sede para discutir isso agora, tem muita gente só pensando nisso”. Depois, ao final do discurso, voltou a insinuar sua desconfiança com setores da imprensa e condenar a “mediocridade” dos governantes que pensam o país apenas de quatro em quatro anos. “Atenção, se vocês lêem dois jornais por dia, leiam quatro. Nem sempre terão tudo que vocês gostariam que tivesse, ou notícias boas ou notícias ruins, mas haverá um momento em que o povo brasileiro terá que definir, afinal de contas, ano eleitoral sempre é um ano muito delicado no Brasil, porque o Brasil sempre foi pensado de quatro em quatro anos, o Brasil nunca foi pensado para 20 anos ou para 30 anos. E o país que é pensado apenas de quatro em quatro anos, a nação fica tão medíocre quanto os dirigentes que a dirigiram.”

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