Curitiba - Os 12 terceiros-sargentos do Exército identificados na fita de vídeo em suposta prática de tortura num alojamento da 2ª Companhia de Fuzileiros de Curitiba começaram a depor ontem para o Inquérito Policial Militar (IPM) aberto segunda-feira. Também ontem, eles foram transferidos do quartel do 20º Batalhão de Infantaria Blindado, onde davam expediente, no norte da cidade, para o 5º Belog (Batalhão Logístico), ao sul.
Os oficiais aparecem em imagens mostradas no último domingo pelo programa “Fantástico”, da Rede Globo, aplicando trotes em novatos que ingressavam na carreira. Cinco das supostas vítimas dos veteranos também respondem ao IPM. Do grupo, apenas três seriam novatos e todos dizem ter sido voluntários das sessões que eles mesmos filmaram com câmera digital.
O inquérito presidido pelo tenente-coronel Ilton Barbosa apura possível prática de tortura no quartel. Eles podem receber uma condenação por crime e ser expulsos do Exército. Também respondem a uma sindicância interna, administrativa, por quebra da disciplina militar. Em entrevista à reportagem, na segunda-feira, oito dos identificados disseram que as cenas mostradas na TV são o registro de “brincadeiras consentidas” por integrantes da companhia, conhecida como “Pantera”.
Os maus tratos seriam simulados. A fita mostra “veteranos” aproximando ferro de passar roupa no corpo de jovens soldados, que, amarrados, também levam choque elétrico e chineladas. Um aplicador do trote está encapuzado. Gritos histéricos se misturam a risadas. Em uma cena, um jovem é submetido a afogamento no banheiro. Os agressores tentam reanimá-lo.